O
mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais deve fechar o ano com
movimentação financeira em torno de R$ 4,4 bilhões. Segundo a Câmara Setorial
Federal de Flores e Plantas, o segmento registrou crescimento de cerca 10%, nos
últimos cinco anos, e já emprega 194 mil pessoas em todo o país. Para este ano,
a expectativa é que haja alta de 12% no volume de negócios em relação a 2010.
“Esse
desempenho é bem acima do Produto Interno Bruto (PIB), previsto para crescer em
torno de 4% em 2011”,
disse Kess Schoenmaker, presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura
(Ibraflor) e de uma cooperativa que vende flores e plantas ornamentais. Ele
destacou, entretanto, que, nos últimos dois meses, em decorrência da crise, a
movimentação no setor foi um pouco menor, mas nada com impacto perceptível.
Segundo
Schoenmaker, o mercado está em franca expansão e pode crescer ainda mais. “No
Brasil cerca de 75% de toda a produção são consumidos pelas regiões Sul e
Sudeste. As demais ficam com apenas 25%, por isso, são locais que merecem
atenção, a fim de expandir a comercialização. Com as novas tecnologias e
condições de transporte mais favoráveis, podemos entregar o produto em boas
condições em um prazo mais extenso”, destacou. Para ele, essas evoluções
tecnológicas, tanto no plantio como na logística, são o principal fator desse
bom desempenho. “A satisfação do consumidor final tem aumentado muito, porque o
produto está durando mais.”
Para
o produtor de rosas Daniel Boersen, o desenvolvimento do setor é sólido e
beneficia todos os elos da cadeia. Ele tem uma empresa familiar que cresceu
100% nos últimos dez anos. “Em 2001, eu tinha cerca de 60 funcionários, hoje
tenho 120 pessoas trabalhando diretamente no meu empreendimento.”
Boersen
acredita que a venda de flores e mudas por redes varejistas, que teve início há
aproximadamente quatro anos, também é muito importante para o setor. “As
pessoas vão ao supermercado e já levam um vasinho de flor para casa. Isso gerou
nas pessoas o hábito de comprar plantas, o que é bastante positivo para o
segmento.”
Outro
ponto visto com otimismo pelo setor diz respeito às vendas online. No ano
passado, esse tipo de comercialização teve um crescimento de 50% e a previsão é
que o bom resultado se repita em 2011. “Esse tipo de venda ocorre em geral para
o consumidor final, em sua maioria, são vendidos, buquês individuais. Não temos
muita venda de atacado. Não representa uma parcela grande do volume total, mas
a evolução acelerada merece atenção”, ressaltou Kess.
Segundo
ele, trata-se de um mercado prioritariamente interno, já que a exportação não é
um fator de peso para esse nicho. “O alto custo de produção devido à carga
tributária, o câmbio desfavorável e o custo do transporte fazem com que o nosso
preço não seja competitivo lá fora. Produzir uma rosa no Brasil é 30% mais caro
do que na Colômbia ou no Equador.”
Com as limitações da expansão do
mercado para o exterior, produtores brasileiros buscam ferramentas para
fortalecer ainda mais a cultura de compra de plantas no país. Uma delas é a
Expoflora, feira realizada anualmente no mês de setembro, na cidade paulista de
Holambra. No ano passado, o evento foi responsável pela comercialização de cerca
de 600 mil mudas de flores e plantas, e para este ano, a previsão é que 700 mil
sejam vendidas. “É a maior feira do setor em toda a América Latina”, comentou
Paulo Fernandes, coordenador do evento.
“Acreditamos
que seja a principal oportunidade que o produtor tem de apresentar inovações ao
consumidor final e medir sua aceitação. Todos os anos recebemos cerca de 300
mil visitantes. A feira dita as tendências do setor para o próximo ano”,
complementou o coordenador.