A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de anular as
provas da Operação Boi Barrica, realizada pela Polícia Federal, fez crescer a
pressão dos advogados de outros réus alvos de ações semelhantes. Advogados dos
acusados nas operações Voucher, Navalha, Mãos Limpas e Caixa de Pandora ainda
aguardam julgamento na corte, mas já vislumbram um resultado favorável.
Entre os personagens graúdos acusados de corrupção e desvio de
dinheiro público que esperam fulminar as provas obtidas pela Polícia Federal
estão os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido),
preso na operação Caixa de Pandora, e do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), apanhado
pela Operação Mãos Limpas, além dos envolvidos na Operação Voucher, que
derrubou a cúpula do Ministério do Turismo.
"Pedi a anulação de todo o inquérito. A maior prova da
inocência do meu cliente (José Roberto Arruda) é que até hoje o Ministério
Público não o denunciou", afirmou o criminalista Nélio Machado. Ele alega
vícios no processo, entre os quais grampos ilegais e espera que a
jurisprudência do STJ contribua para o descarte das provas. "Toda decisão
que reconhece ilegalidade e abuso na coleta de provas gera jurisprudência
nova", enfatizou.