Em seu mais recente relatório sobre a economia mundial, divulgado
nesta terça-feira (20) em Washington, o FMI (Fundo Monetário Internacional)
reduziu para 3,8% a projeção de crescimento para o Brasil neste ano. As
incertezas sobre a recuperação da economia mundial também provocaram uma rodada
de revisões nas expectativas para a expansão global. De acordo com as previsões
reunidas no relatório World Economic Outlook ("Perspectivas da Economia
Mundial", em tradução livre), o Brasil terá o segundo menor crescimento na
América do Sul neste ano, ficando atrás somente da Venezuela (com previsão de 2,8%)
e abaixo da média da região, de 4,9%.
Segundo o FMI, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro
também será menor que a média prevista para as economias emergentes e em
desenvolvimento (6,4%) e para o crescimento global como um todo (4%), mas ainda
ficará à frente da previsão para as economias avançadas, de apenas 1,6% A nova
estimativa representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à previsão
anterior do FMI, de 4,1%, divulgada em junho, e está abaixo da expectativa do
governo brasileiro, mas ainda acima do esperado pelo mercado.
Apesar de, oficialmente, o governo brasileiro ainda manter a
expectativa de crescimento de 4,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) neste
ano, a própria presidente Dilma Rousseff já declarou recentemente que o governo
faria "um esforço para chegar a 4%, quatro e pouco (%)". O mercado é
menos otimista e, o mais recente Boletim Focus (levantamento semanal do Banco
Central com base em consultas ao mercado), divulgado na segunda-feira, reduziu
pela sétima semana consecutiva sua projeção de crescimento para a economia
brasileira, passando de 3,56% para 3,52%.
Para 2012, o FMI manteve inalterada sua projeção para o
crescimento da economia brasileira, em 3,6%, ligeiramente abaixo dos 3,7%
previstos pelo mercado.
Inflação
O FMI afirma que, no geral, a perspectiva para as economias
emergentes voltou a ser "incerta", em parte como reflexo de um
cenário mundial menos favorável, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
No Brasil, economistas já vêm apontando a piora no cenário externo
como um dos fatores para o crescimento menor, ao lado da desaceleração na
indústria, provocada especialmente pela valorização do real frente ao dólar e
das medidas adotadas pelo governo para conter a inflação. O Banco Central do
Brasil espera trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% (com margem de
dois pontos percentuais para cima ou para baixo), até o fim de 2012.
A projeção do FMI, no entanto, é de que a inflação brasileira
chegue a 6,6% em 2011 - acima dos 6,46% projetados pelo mercado e levemente
acima do teto da meta, de 6,5% - para retroceder a 5,2% em 2012 (abaixo dos
5,5% previstos pelo mercado).
Riscos
Assim como em relatórios anteriores, o FMI voltou a apontar riscos
do rápido aumento do crédito e de preços e da forte entrada de capital
estrangeiro verificados no Brasil e em muitas economias da América Latina após
a crise mundial de 2008. "É necessário manter a vigilância para limitar os
riscos à estabilidade financeira", diz o relatório.
Ao citar o Brasil ao lado de outros emergentes que enfrentam
problemas semelhantes, o FMI afirma que "os riscos à estabilidade
financeira em todas essas economias devem ser monitorados por algum tempo,
devido ao grande volume de crescimento de crédito nos últimos cinco anos".
No caso do Brasil, medidas para restringir a concessão de crédito estão entre
as ferramentas usadas pelo governo para tentar controlar a inflação.
Desde 2010, o governo também já adotou diversas medidas para
tentar conter o fluxo excessivo de capital estrangeiro, que provoca a
valorização do real frente ao dólar e acaba reduzindo a competitividade das
exportações brasileiras.
O FMI reconhece essas medidas adotadas pelo governo, mas recomenda
que o Brasil e outros países também tenham como uma de suas prioridades a
reversão do deficit público.