Entidades
médicas estimam que cerca de 120 mil dos 160 mil médicos que atuam na saúde
suplementar deverão parar os atendimentos a parte dos planos de saúde nesta
quarta-feira (21) durante mobilização nacional. Os atendimentos de urgência e
emergência serão mantidos.
A
paralisação vai atingir 23 Estados e o Distrito Federal durante todo o dia.
Apenas em Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte, os atendimentos serão
totalmente mantidos, pois as entidades médicas consideram avançado o grau de
negociação com as operadoras.
Essa
é a segunda etapa do movimento que reivindica reajuste na tabela de honorários
médicos, estabelecimento de reajustes periódicos e fim de interferências dos
convênios nas decisões médicas.
Estas
demandas levaram médicos do país a suspenderem atendimento aos planos de saúde em abril. Agora serão
boicotados atendimentos aos planos que não negociaram ou não apresentaram
propostas de reajuste consideradas adequadas.
Como
as negociações ocorreram descentralizadamente nas 27 unidades da federação,
cada Estado tem uma lista de planos que não serão atendidos nesta quarta-feira.
Os mais frequentes, segundo levantamento das entidades médicas, são Amil,
Hapvida, Geap, Caixa, Cassi, Correios, Golden Cross e SulAmérica.
A
relação do boicote por Estado pode ser conferida no site do Conselho Federal de Medicina. Esse movimento ocorre
paralelamente a outras manifestações organizadas nos Estados em São Paulo, por exemplo,
os médicos adotaram paralisação por rodízio em setembro.
CRÍTICAS AO GOVERNO
Florentino
Cardoso, presidente eleito da AMB (Associação Médica Brasileira), afirma que o
movimento pretende elevar o pagamento mínimo de uma consulta médica a R$ 60.
Hoje, diz, a média está em R$ 40, mas há casos em que o médico recebe R$ 15 por
consulta.
Além
do valor, espera-se limitar interferências na atividade médica. "Cada vez
mais vemos pacientes que têm plano de saúde usando o SUS porque o plano não
autorizou determinado procedimento, principalmente os de alta complexidade e
alto custo, como radioterapias e quimioterapias", afirmou Cardoso.
Aloísio
Tibiriçá, vice-presidente do CFM, criticou a postura do governo de não
acompanhar de perto as demandas de médicos e pacientes com relação aos planos
de saúde. "A desassistência [na saúde suplementar] avança a passos largos,
sendo próxima do SUS, com perda também na parte da humanização." Sobre
essas questões, completa, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)
"tem sido completamente ineficaz".
Ainda
de acordo com as entidades, as restrições impostas pela Justiça contra o
boicote caíram, e não há nenhuma decisão que barre o movimento.