A
necessidade de uma atenção maior ao problema da mulher negra na América Latina
será levantada por representantes da organização não governamental (ONG)
Geledés - Instituto da Mulher Negra, que participam hoje (22), em Nova York, da reunião de
alto nível sobre os dez anos da Conferência de Durban. A reunião faz parte dos
debates da 66ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas
(ONU).
Nilza
Iraci, uma das representantes da ONG, foi a escolhida para representar as
mulheres brasileiras no encontro. Em entrevista, ela disse que aproveitará o
tempo para lembrar que as mulheres negras estão na base da pirâmide social, não
só no Brasil, mas nos demais países da América Latina e do Caribe. Segundo ela,
racismo e sexismo andam juntos na região e precisam ser enfrentados pelos
governos.
"Recismo
e sexismo andam juntos e sem essa conciência não se resolve a questão",
disse Nilza. Para ela, é preciso lembrar que no caso da mulher negra, na
região, há uma dupla vitimização. "Basta olhar a base da pirâmide social
no Brasil. São as mulheres negras que recebem os menores salários, que não têm
acesso aos serviços de saúde de qualidade. Há um conjunto de situações que
afetam, especialmente, a vida das mulheres negras", destacou.
Nilza
Iraci terá cerca de três minutos para falar. Também está previsto na reunião um
discurso da ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial (Seppir).
Para
as mulheres, o que se espera do discurso da ministra é a garantia de que o
Brasil continuará enfrentando essa questão com prioridade, com o fortalecimento
da Seppir e da Secretaria de Políticas para as Mulheres, comandada pela
ministra Iriny Lopes. "Essas secretarias são referência e devem servir de
exemplo para os demais países da América Latina e do Caribe.
No
discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, feito ontem (21), a presidenta
Dilma Rousseff citou a questão racial e de gênero, de forma geral. Para a
representante da ONG Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) Guacira
Oliveira, é esperada na fala de Luiza Bairros a reafirmação do compromisso de
continuidade e incremento das políticas voltadas para esse público.
Outro
ponto polêmico, em que se espera uma política mais eficaz, é a questão da
violência. Os assassinatos de negros ainda são muito maiores. "No Brasil,
o problema da violência é permanente e muito grave", enfatizou Guacira,
que está em Nova York
para a reunião.
Ela
defendeu também maior compromisso da ONU na resolução de conflitos étnicos.
"Os recursos das agências para a questão da igualdade ainda são ínfimos.
Existem muitas guerras étnicas, mascaradas de guerras religiosas, que precisam
ser resolvidas", disse.
A
Conferência de Durban, em 2001, tratou de todas as formas de discriminação,
racismo e xenofobia. O Brasil desempenhou papel de protagonista no encontro e,
depois, na implementação de políticas raciais. A reunião de hoje tem o objetivo
de homenagear os dez anos da conferência e, ao mesmo tempo, avaliar os esforços
feitos pelos países desde então e os avanços obtidos.