Durante
a gravidez, um dos momentos mais bonitos na vida de uma mulher, ainda é
colocado em questão até que ponto é possível que a vaidade feminina fique em
primeiro lugar ao invés de garantir o bem estar do bebê. Tingir ou não o cabelo
durante a gestação é um dos assuntos que mais gera polêmica entre as
mulheres e até mesmo especialistas no assunto.
Para a dermatologista Denise Steiner, a vaidade e a gravidez combinam, sim,
desde que respeitados alguns limites. “Eu não recomendo o uso da tintura
permanente, aquela que descolore o cabelo, afinal ela é nociva por conter
amônia, substância que em contato com o couro cabeludo é transportada pela
circulação sanguínea, podendo causar má formação fetal e até aborto”, afirma.
A especialista ainda lembra que existem alguns relatos na literatura científica
de crianças que tiveram problemas por causa da utilização de tintura durante a
gestação. “Além de o bebê nascer com uma má formação, a mãe pode ter algum tipo
de intoxicação por causa do produto e transferir para a criança. Ou até mesmo
um defeito na célula do sangue e facilitar o aparecimento da leucemia”,
explica.
Apesar de ser contra, a dermatologista recomenda que, se a futura mãe optar
pelo o uso de tinturas, que isso seja feito somente após o terceiro ou quarto
mês de gestação, período em que as chances de más-formações diminuem. “Até o
terceiro mês de gravidez a atenção deve ser redobrada. É nesse período que
ocorre a formação principal dos órgãos, por isso é o momento onde os produtos
químicos poderiam interferir seriamente na gravidez”, afirma Steiner.
Luiza Alves, publicitária e a mais nova mamãe, sempre teve os cabelos tingidos
com um loiro bem marcante, mas decidiu evitar mantê-los dessa maneira e
preservar o bem estar da sua filha. “Eu sempre escutei histórias ruins sobre
pintar o cabelo durante a gestação e como a maioria das mulheres fiquei
insegura, afinal eu sempre mantive o meu cabelo daquela cor e ainda utilizava
tratamentos de alisamento. Mas eu optei por não arriscar, deixei a minha
vaidade de lado e pensei com o coração de mãe que coloca sempre seu filho em
primeiro lugar”, afirma.
“Além disso, eu pude voltar a minha cor natural, que é o castanho escuro, e
percebi que eu também fiquei bonita assim”, conta Luiza.
Alternativa
Segundo a especialista, as mulheres podem recorrer a outras maneiras de manter
os cabelos bonitos sem colocar em risco a saúde dela e do bebê. “Existe uma
tintura não permanente, conhecida como tonalizante, que não é feita na raiz dos
cabelos, pois é aplicado com uma touca, protegendo o couro cabeludo dos
produtos químicos”, ressalta.
Mas a dermatologista lembra que esse método é mais usado nas mulheres que
pretendem fazer mechas e reflexos. Por ser uma tinta mais fraca, não resolve no
caso de cabelos brancos ou com muito tempo de tintura química.
A médica conclui dizendo que melhor do que ficar bonita é cuidar para que
o bebê nasça com saúde. E o mais importante: qualquer tipo de aplicação química
deve ser feita só depois de orientação médica. Dessa forma, problemas podem ser
evitados no futuro.