O
secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antonio
Henrique Pinheiro Silveira, disse nesta terça-feira (27) que a redução em
quatro centavos da Cide, publicada na edição de hoje do Diário Oficial, não
deve resultar em redução do valor da gasolina nos postos para o consumidor.
A
Cide é o tributo que incide na importação e comercialização da gasolina.
"Nossa
expectativa não é que haja queda no preço da gasolina C (vendida nos postos). A
não ser que o preço do álcool anidro venha a cair posteriormente. O que a gente
fez foi, olhando para os preços médios praticados em setembro e à luz da
mudança de mistura a partir de 1º de outubro, neutralizar os efeitos da mudança
da mistura no preço da gasolina C".
Pelo
decreto, o valor da Cide sobre a gasolina caiu de R$ 0,23 por litro (R$ 230 por
metro cúbico) para R$ 0,19 o litro (R$ 192,60 por metro cúbico).
De
acordo com o secretário, o objetivo do governo é apenas compensar aumento no
preço da gasolina vendida nos postos - a chamada gasolina C -, por conta
da redução do percentual de etanol misturado a ela.
“[A
redução da Cide] é única e exclusivamente para compensar o pequeno aumento de
preço que poderia resultar da mudança da mistura. Estamos preocupados única e
exclusivamente em neutralizar o preço da gasolina”, disse Silveira.
Questionado
se poderia haver aumento no preço do combustível, o secretário respondeu que “o
preço nos postos é livre".
A partir
de sábado (1º), a parcela de etanol na gasolina vai cair de 25% para 20%. A
mudança foi anunciada no final de agosto pelo governo por conta da escalada no
preço do etanol, que estava impactando também no valor da gasolina.
A produção de etanol no país não tem sido suficiente para atender à demanda nos
postos e o governo teme que haja desabastecimento.
De
acordo com Silveira, a gasolina A (pura) é mais cara que o etanol: R$ 1,5496
contra R$ 1,4321 o litro, nos valores de setembro. Como a proporção de gasolina
A sobe de 75% para 80%, haveria aumento da gasolina C, resultante da mistura,
nos postos.
Menos
arrecadação
De acordo com ele, o governo estima que a renúncia fiscal com a redução da Cide
chegue a, no máximo, R$ 50 milhões em 2011.
A queda na arrecadação da Cide, disse o secretário, deve ser compensada em
parte pelo aumento de ganhos de Pis e Cofins com a maior participação da
gasolina A na mistura.
Pinheiro afirmou ainda que em sua decisão o governo não levou em consideração
custos extras da Petrobras com a elevação da importação de gasolina para
atender ao mercado interno – as refinarias do país já trabalham na capacidade máxima
-, nem a sua margem de lucro, o que vem sendo motivo de reclamação da direção
da empresa.