As obras de construção da Usina Hidroelétrica UHE de Colíder, no Rio Teles Pires, provocou fortes impactos sociais nos municípios dentro da área de influência do projeto.
O prefeito de Colíder, Celso Paulo Banazeski, revelou que desde o início dos trabalhos o município tem enfrentado problemas decorrentes da pressão nos serviços públicos, com o aumento significativo da população. Ele disse que Colíder não tem capacidade financeira para suportar o acréscimo das demandas e, inclusive, corre o risco de não conseguir fechar as contas deste ano.
A situação é parecida em Nova Canaã do Norte, outro município na área de influência do projeto de construção da Usina. O prefeito Vicente Gerotto de Medeiros, afirmou que "a situação tende a ficar caótica". Em Itaúba, os impactos socioeconômicos decorrentes do empreendimento ainda não foram sentidos.
"Entretanto, não descartamos essa possibilidade, com o inicio da supressão vegetal da área do reservatório" - alertou o prefeito Raimundo Zanon, durante reunião com o secretário de Meio Ambiente, Vicente Falcão de Arruda Filho, com representantes da Promotoria de Justiça Cível de Colíder, Ministério de Minas e Energia, e da empresa Copel Geração e Transmissão para discutir uma solução frente ao embargo das obras.
A promotora de Justiça Cível de Colíder, Hellen Uliam Kuriki, disse que "a preocupação do Ministério Público está relacionada aos impactos sociais negativos do empreendimento nas áreas social, econômica, da infância e juventude, urbanística e da segurança pública".
Já a representante do Ministério de Minas e Energia, Márcia Camargo, após destacar a importância do empreendimento para suprir o déficit energético do país, externou sua preocupação em relação às pressões sobre os serviços públicos. "É necessário que haja uma composição entre o empreendedor e os municípios da área de influencia da UHE, a fim de que as obras possam prosseguir". Ela destacou ainda a sua preocupação com os danos ambientais e sociais que poderão advir, caso a obra permaneça paralisada e, levantou uma serie de sugestões para que se possa chegar a um consenso entre a demanda dos municípios e as responsabilidades do empreendedor.
O representante da Copel, o advogado Júlio Jacob Júnior, explicou que a empresa está aberta a celebração de um acordo que contemple as demandas criadas nas áreas da saúde e educação, relativas aos profissionais e seus familiares, diretamente envolvidos no empreendimento, além da compensação de eventual demanda que extrapole o crescimento demográfico esperado pelos municípios. "A Copel apóia os municípios na busca e formatação de projetos de captação de recursos através da utilização das leis de incentivos fiscais e com compromisso de aporte de recursos da empresa em tais projetos".
Em relação ao embargo, Júlio Jacob informou que a empresa já cumpriu as pendências elencadas pela Sema. Após a reunião ficou definido, entre outras questões que a Copel deverá apresentar os valores que entende factíveis para os repasses emergenciais aos municípios que deverão apresentar as informações que comprovem o aumento das demandas por serviços públicos. Também deverá ser criado um Grupo de Trabalho integrado por representantes dos órgãos envolvidos na questão, com o objetivo de discutir e monitorar a aplicação de recursos.