A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta terça-feira
(04) a proibição da comercialização dos medicamentos inibidores de apetite
conhecidos como anfetamínicos. A decisão, tomada durante reunião da Diretoria
Colegiada da Anvisa, cancela os registros dos inibidores de apetite
anfepramona, femproporex e mazindol.
A
comercialização e o registro da sibutramina, um dos remédios mais vendidos que
atuam na redução do apetite, foram mantidos com um controle mais abrangente.
No
âmbito da Anvisa, não cabe recurso à decisão, mas as empresas que fabricam e
comercializam os inibidores de apetite podem recorrer à Justiça. De acordo com
a Anvisa, as farmácias terão prazo de 60 dias para retirar os produtos do
mercado.
O
relatório de 700 páginas produzido pela Anvisa aponta que os benefícios da
perda de peso causados pela utilização da anfepramona, do femproporex e do
mazindol não superariam os riscos, tais como problemas cardíacos. O relatório
diz ainda que não há dados técnicos e científicos que comprovem a eficácia e
segurança destas substâncias no controle da obesidade.
Os
inibidores de apetite atuam em uma região do cérebro conhecida como hipotálamo,
que regula a sensação de fome e de saciedade.
Sibutramina - Quanto à sibutramina, o relatório
diz que o registro da substância cumpriu os requisitos de eficácia, “gerando
desfecho clínico da perda de peso” e com “relação benefício-risco favorável”.
Sendo assim, a Anvisa permitirá que a substância possa ser comercializada com
algumas restrições, tais como controle na prescrição médica para minimizar
riscos.
O
relatório aponta que a sibutramina pode ser utilizada em pacientes obesos sem
história de doença cardiovascular e que não conseguem aderir a programas de
emagrecimento; com diabetes ou intolerância à glicose; dislipedêmicos;
hiperuricêmicos; mulheres com ovários policísticos e pacientes com hepatite não
alcoólica.
De
acordo com o relatório, a Anvisa recomenda que a utilização da sibutramina seja
suspensa caso o paciente não responda ao tratamento no período de quatro
semanas.
Exterior - A venda de remédios para emagrecer
com sibutramina foi proibida pela agência reguladora de remédios na Europa no
início de 2010. A
entidade alegou, na época, que trabalhos científicos apontavam o aumento do
risco de problemas cardiovasculares em pacientes que usaram a sibutramina.
Conhecido
como Scout, o estudo que levou a agência reguladora européia a banir o
medicamento contou com 9 mil pacientes obesos, monitorados durante 5 anos -
parte deles recebeu sibutramina e outra parte tomou uma medicação sem efeito
(placebo). Todos os integrantes da pesquisa passaram por dieta e praticavam
exercícios físicos.
No
caso dos Estados Unidos, a agência reguladora de alimentos (FDA, na sigla em
inglês) também recomendou o fim do uso do medicamento. Com isso, a Abbott,
empresa responsável pela venda da sibutramina, retirou o produto do mercado.
Canadá e Austrália também são países onde o comércio da droga é vetado.