A
morte de Steve Jobs gera um vácuo de poder na cadeia criativa tecnológica para
os próximos anos. O questionamento se torna mais amplo do que sua substituição.
Em uma visão mais ampla deveríamos estar nos perguntando quem atualmente tem a
capacidade de impactar o mercado com tamanha perspicácia e inteligência
como ele? De forma mais direta, a pergunta a ser respondida é:
Quem será o herdeiro da cadeira de gênio tecnológico nos próximos
anos?
Poderia
ser Tim Cook, que entrou no lugar de Jobs após seu pedido para deixar o cargo
na Apple? Poderia. No entanto, Cook vem de uma formação específica e aparenta ter uma veia mais técnica
do que criadora. Formado em Engenharia Industrial pela Universidade de
Auburn, trabalhou por 12 anos na IBM e posteriormente, um curto período, na
Compaq até ser contratado por Jobs para assumir o cargo de Vice-Presidente
Sênior de operações na internet.
Algumas
análises mais recentes referentes as ações de Cook o consideram alguém que toma
conta da visão geral das operações da empresa, deixando espaço para que sua
equipe brilhe. Não parece ser um centralizador como Jobs. Pode ser o início de
uma nova cultura de trabalho dentro da “fábrica da maçã”.
Mas,
até o momento, não é possível enxergar em suas atitudes algo que possa
surpreender o consumidor e o mercado de forma tão direta quanto seu antecessor
no cargo. Cook pode até ter algo mais para mostrar, mas por enquanto é somente
o substituto de um gênio.
Outros
postulantes a herdeiros do legado tecnológico e de criação de Jobs são Larry Page
e Sergey Brin, os criadores do Google. Ambos encontraram-se nos corredores da
universidade de Stanford devido à pesquisa de Page, para seu Ph.D, versar sobre
as propriedades matemáticas da rede.
Durante
os encontros para a composição da tese a dupla criou um dos sites mais
visitados do planeta. Brin e Page talvez não estejam tão inseridos na criação
de hardware quanto Jobs, apesar das investidas do Google nas mais diversas
áreas tecnológicas e do acirramento da disputa pelo mercado de smartphones com
Apple.
Porém,
a dupla consegue enxergar à frente de seu tempo e disponibilizar ideias capazes
de mudar o uso de tecnologias na vida das pessoas. Page e Brin acabam por se
enquadrar em uma das principais sacadas de Jobs, “criar algo que não existia,
mas que as pessoas precisavam”.
A
dupla tem seu espaço garantido no mundo tecnológico como criadores e
visionários, mas agora, que o mercado das
ideias ficou menos competitivo, é necessário ver como irão se comportar na hora
de entregar novos produtos e serviços aos consumidores e se serão capazes de
surpreender as pessoas de forma tão direta quanto Jobs.
Por
último surge Mark Zuckerberg, o mais novo da lista tanto em
idade, com 27 anos, quanto em exposição na mídia tecnológica. Zuckerberg é a
pessoa da tecnologia que conseguiu, nos últimos anos, congelar as atenções de
grande parte dos admiradores e criadores de tendências dessa área, por meio da
rede social Facebook.
O
que Zuckerberg conseguiu com o Facebook, pode ser considerado um marco na atual
conjuntura da Internet, desbancar o Google do top de páginas mais acessadas e
junto a isso quebrar recordes referentes ao número de pessoas utilizando sua
plataforma, quantidade de uploads e tráfego de arquivos por meio da sua
ferramenta social. É alguém com potencial a ser desbravado.
Muitos
já disseram que Zuckerberg é um gênio, um prodígio, mas com certeza ainda é
cedo para que um veredicto possa ser dado de forma conclusiva, já que para ser
um gênio ou algo mais do que um bilionário da rede, grande parte do que é feito
por alguém ou por sua equipe precisa ser inovador, gerar tendência e, acima de
tudo, impactar o cotidiano de forma geral.
É
óbvio que, a procura por um herdeiro de Jobs só está começando e, talvez, nunca
tenha fim.
Em
suma, Steve Jobs foi alguém que gerou tendência, criou mercados e determinou
necessidades que não existiam. Estava atento a todos os detalhes dos projetos
desenvolvidos por sua companhia e dava atenção à simplicidade de uso desses
equipamentos criando uma experiência diferente tanto para quem já estava
acostumado com tecnologia quanto para quem estava comprando o seu primeiro
equipamento.
Hoje existem vários CEOs, empreendedores,
criadores entre outros homens e mulheres do segmento tecnológico que têm alguns
dos traços marcantes de Jobs, mas será difícil encontrar alguém que possa unir
todas as características de um gênio ou guru, como alguns o chamavam, de uma
forma tão completa como ele conseguiu.