O
TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou, e os funcionários dos Correios,
após greve de 28 dias, retornam ao trabalho nesta quinta-feira. A multa diária
por descumprimento é de R$ 50 mil para a Fentect (Federação Nacional dos
Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares).
A
empresa indicou que vai levar de sete a dez dias para normalizar os serviços. Após
diversas tentativas frustradas de acordo, o dissídio de greve foi julgado na
terça-feira no plenário do TST.
A
Fentect afirmou que orientou os funcionários a retomarem as suas atividades.
No
ponto mais polêmico do julgamento, os ministros do TST determinaram o desconto
no salário de 7 dos 28 dias de paralisação. Os outros 21 serão repostos pelos
funcionários em trabalho extra aos sábados e domingos.
"Não
é a jurisprudência do nosso tribunal [que determina o corte integral, mesmo
quando a greve não é abusiva], mas pesou a circunstância de que a própria
empresa concordava com os descontos de apenas alguns dias", disse o
presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen.
REPOSIÇÃO
A
decisão contrariou o voto do relator do caso, Mauricio Godinho Delgado, que
defendeu a reposição de todos os dias. No final, a proposta vencedora (com
quatro votos) foi o corte integral no salário, mas o presidente do tribunal
resolveu tornar vencedora a "proposta mediana", com o corte de sete
dias.
Apesar
desse corte, os ministros do TST também foram unânimes ao afirmar que a greve
não é abusiva.
A
decisão do TST prevê reposição na inflação de 6,87%, reajuste linear de R$ 80 a partir de outubro e um
vale extra (alimentação) único de R$ 575. O resultado é muito abaixo da
reivindicação inicial dos trabalhadores, que pediram reajuste de 7,16%,
reposição das perdas dos últimos 16 anos de 24% e reajuste linear de R$ 400.
A
greve começou em 14 de setembro. A empresa manteve a versão, durante toda a
greve, que a adesão não passou de 25% dos 110 mil funcionários. Os funcionários
chegaram a falar em 70%.
Praticamente
não houve fechamento de agências, mas a empresa calcula que 184 milhões de
cartas e encomendas tenham atrasado.
A
empresa afirma que vai levar de sete a dez dias para normalizar os serviços.