O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (14), nos Estados Unidos, a
atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e dos países desenvolvidos na solução da atual crise
financeira internacional.
“O FMI tinha solução para
tudo quando a crise era na Bolívia, no Brasil, no México. Quando a crise chega
aos países ricos o FMI se cala, entrou num silêncio profundo. O BID, então, não
fala mais nada”, criticou Lula.
Lula
disse que as nações desenvolvidas precisam seguir o exemplo do Brasil no
combate à crise mundial e de que não tem nada mais “fácil e barato no
mundo do que cuidar dos pobres, o que é duro é cuidar dos ricos”.
Para
ele a distribuição de renda permite que os pobres possam consumir e, com isso,
faz com que a economia possa girar, gerando emprego e renda para os mais ricos.
“Uma
família pobre com US$ 100 resolve seu problema por um mês. Para o rico, você
empresta US$ 1 bilhão e [eles] ainda saem do seu gabinete falando mal do
governo. [...] Tudo relacionado ao pobre é gasto, aumento do salário mínimo é
gasto, transferência de renda é gasto. Emprestar para o rico é investimento. Nós
mudamos isso, emprestar para pobre também é investimento”, ressaltou.
O
ex-presidente foi um dos agraciados, nesta quinta (13), com o prêmio World Food Prize nos Estados Unidos. A premiação foi criada em 1970
para prestigiar personalidades que contribuíram para a diminuição da fome no
mundo. Após recebê-lo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a
fome é "a maior arma de destruição em massa que a humanidade já
inventou" e que os governantes, em vez de guerras, devem "lutar pela
vida, não pela morte".
Nesta
sexta, a presidente Dilma Rousseff também criticou o FMI. Ela afirmou, porém, que o Brasil
poderá aumentar sua participação no fundo. Segundo ela, como país credor, O
Brasil não aceitará que sejam impostas a outras nações condições semelhantes a
que a entidade impôs ao Brasil nas décadas passadas.
"Hoje
nós temos recursos aplicados no Fundo Monetário, possivelmente, inclusive, nós
iremos ter uma maior participação. Agora, jamais aceitaramos como participantes
do Fundo Monetário certos critérios que nos impuseram sejam impostos a outros
países", disse, durante cerimônia de assinatura do do plano Brasil sem
Miséria com os governadores da região Sul, em Porto Alegre.
Na quinta, a presidente já havia criticado o FMI. Ela comparou a crise da dívida
soberana, iniciada na década de 1980, com a atual crise econômica nos países
ricos e reafirmou a necessidade de conjugar investimento e inclusão social.
Disse, porém, que "parece que não há um empenho, uma convicção política
uniforme de como lidar com essa crise" por parte dos países ricos.