A receita das exportações de produtos industrializados de Mato
Grosso do Sul nos primeiros nove meses deste ano já supera o valor obtido no
acumulado em todo o ano passado, conforme levantamento do Radar Industrial da
Fiems (Federação das Indústrias do Estado Mato Grosso do Sul) com base nos
dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
De janeiro a dezembro de 2010 as exportações de industrializados somaram US$
2,11 bilhões, enquanto nos nove primeiros meses deste ano o montante alcançou
US$ 2,13 bilhões.
Segundo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, os números positivos
das exportações refletem o bom momento do setor industrial em Mato Grosso do Sul nos
últimos dois anos, alavancado, principalmente, pelo desempenho favorável dos
segmentos de extrativo mineral e de açúcar e álcool, que registram sucessivos
aumentos de preços no mercado externo, e também os de siderurgia, metalurgia,
papel e celulose, com crescentes elevações de volume.
Além disso, informa Longen, a pauta de exportações de industrializados
do Estado ganhou, nos últimos meses, a agregação do segmento de máquinas e
equipamentos graças à instalação no município de Três Lagoas de uma linha de
produção de freezers de uma grande indústria nacional. “Mês após mês estamos
registrando aumento na receita das exportações de industrializados no Estado, o
que nos possibilita projetar um montante superior a US$ 2,8 bilhões no ano”,
acrescentou.
Participação
Ainda segundo o levantamento do Radar da Fiems, na comparação com o mesmo
período do ano passado, as receitas totais alcançadas de janeiro a setembro
deste ano - US$ 2,13 bilhões – foram 41% maiores do que os US$ 1,51 bilhão
obtidos nos nove primeiros meses de 2010. Quanto à participação relativa, no
acumulado do ano, as vendas externas de industrializados atingiram a marca de
71,2% de tudo o que foi exportado por Mato Grosso do Sul.
Em relação ao ano anterior, verifica-se que a participação das
exportações de industrializados apresentou expansão tanto no comparativo
mensal, quanto no acumulado do ano, com crescimento de 7,8 e 3,3 pontos
percentuais, respectivamente. Na avaliação apenas da receita obtida no mês de
agosto, quando as vendas externas de industrializados alcançaram US$ 354,9
milhões, o crescimento com relação ao mesmo período do ano passado foi de 74%,
quando o valor foi de US$ 204 milhões. Quanto à participação relativa, no mês,
as vendas externas de industrializados atingiram a marca de 76,8% de tudo o que
foi exportado por Mato Grosso do Sul.
Além disso, em receita, igualmente aos meses anteriores, setembro
de 2011 mantém o mesmo comportamento e também se consolida como o melhor
resultado já obtido para o mês em toda a série histórica da exportação de
industrializados em Mato
Grosso do Sul. Com o último resultado, até o momento, são 23
quebras consecutivas de recorde no comparativo com igual mês ao longo da série.
Já com relação ao volume, no acumulado do ano, o total alcança
6,64 milhões de toneladas, aumento de 29,9% em relação à igual período de 2010,
quando foi vendido ao exterior o equivalente a 5,11 milhões de toneladas de
produtos industrializados. No mês de setembro, a exportação de industrializados
alcançou o equivalente a 1,19 milhão de toneladas, indicando, deste modo, um
crescimento de 81,2%, em volume, sobre igual mês do ano anterior, quando as
vendas externas somaram 658,3 mil toneladas.
Principais grupos
No ano, os principais itens da pauta de exportação de industrializados de Mato
Grosso do Sul são Complexo Carne, Extrativo Mineral, Açúcar e Álcool, Papel e
Celulose e Óleos Vegetais Bruto e Refinado, Couros e Peles, Alimentos e
Bebidas, Siderurgia e Metalurgia e Máquinas e Equipamentos, que, somados,
representam 98,4% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de
industrializados ao exterior.
Até o momento, em 2011, os produtos de maior destaque no Complexo
Carne são os pedaços e miudezas congelados de galos e galinhas, carnes secas e
salgadas, carnes congeladas de galos e galinhas não cortados em pedaços, outras
carnes de suínos congeladas e outras miudezas comestíveis congeladas de
bovinos, que proporcionaram um acréscimo, em receita, no comparativo com 2010,
equivalente a US$ 48,4, US$ 9,6, US$ 7,4, US$ 6 e US$ 5 milhões,
respectivamente.
Contudo, as carnes desossadas e congeladas de bovinos, principal
produto do grupo, com participação de 37,5% sobre as receitas totais do mesmo,
obteve, na mesma comparação, uma redução equivalente a US$ 92,3 milhões. Tal
desempenho, como indicado nos últimos levantamentos, segue influenciado, em boa
medida, pelas reduções ocorridas em importantes compradores. Especialmente
aqueles que passam por conflitos internos de ordem política, notadamente no
mundo árabe.
Outros grupos
Já no grupo Extrativo Mineral, o valor alcançado, no ano, ficou em US$ 504,8
milhões, com destaque para a elevação ocorrida nas exportações de minérios de
ferro em bruto, que até o momento, totalizaram US$ 486 milhões ou 96,3% da
receita total. Resultando, deste modo, em uma receita 104,2% maior que a obtida
em igual intervalo de 2010, mesmo com uma expansão, em volume, na mesma
comparação, de 28,0%. Em valores absolutos, o ganho, em receita, supera os US$
257,5 milhões.
No grupo Açúcar e Álcool, no acumulado do ano, a receita de
exportação alcançou o equivalente a US$ 450,2 milhões. Indicando, sobre 2010,
um crescimento nominal de 123,2% na receita, resultando em um valor adicional
de US$ 248,5 milhões. Já em volume, na mesma comparação, a variação foi de 72%,
aumento superior a 367,7 mil toneladas. Em relação aos compradores, os
principais são a Rússia com US$ 102,3 milhões ou 22,7%, Bangladesh com US$ 44,9
milhões ou 10,0%, Venezuela com US$ 37,6 milhões ou 8,4% e Geórgia com US$ 34,5
milhões ou 7,7%.
Quanto às exportações de Papel e Celulose o destaque,
naturalmente, continua por conta da pasta química de madeira semibranqueada
(celulose), que até agora registrou uma receita de exportação equivalente a US$
304,1 milhões ou 91,8% da receita total do grupo. Na comparação com igual
período de 2010, houve um crescimento nominal de 13,5% na receita obtida com o
produto. Ainda em relação ao grupo, outro destaque foi observado nas vendas de
papel fibra 150g/m² que somaram, até agora, o equivalente a US$ 24,2 milhões ou
7,3% do total, proporcionando, na mesma comparação, uma receita 44,5% maior.
Por fim, os principais comparadores, até o momento, são Holanda, com 22,3% ou
US$ 74,0 milhões, Itália, com 19,4% ou US$ 64,2 milhões, e China, com 16,7% ou
US$ 55,3 milhões.