"Claramente
não existe privacidade nas redes sociais." Essa é a opinião de Mark
Stephens, ex-advogado de Julian Assange, o fundador do controverso WikiLeaks.
Stephens é especialista em privacidade e, além de Assange, defende vítimas do
escândalo dos grampos na Inglaterra. "Pense num cartão postal, que vai
para o destinatário sem envelope e pode ser lido por qualquer pessoa. Só
coloque na internet o que você colocaria num cartão postal", recomenda.
Segundo
Stephens, vivemos numa era em que não existe segurança de dados. "Sempre
vai ter aquela pessoa que se sente tentada a divulgar dados secretos na
rede", diz. Ele conta, sem citar nomes, que em alguns casos mesmo usando
os meios tradicionais de comunicação como a entrega de documentos secretos em mãos
por pessoas de extrema confiança há histórias que vão parar nas capas dos
jornais.
O
advogado diz que ele mesmo já teve seu telefone grampeado. "A mídia
descobriu que esse é um caminho fácil para obter histórias secretas sem ter de
falar com as fontes envolvidas. Só que, com a tecnologia atual, a gente não tem
como fugir desse tipo de investida", avalia. "A tendência é surgirem
sempre novas formas de uso desses dados, já que as redes sociais acumulam cada
vez mais informações sobre cada um de nós".
Stephens
acredita que a tecnologia que vasculha a privacidade é bastante útil para os
serviços de inteligência. "Com ela, pode-se descobrir o que os regimes
totalitários estão planejando fazer, por exemplo, e quais são seus alvos",
ressalta. "É preciso tomar cuidado, porém, para não expor operações de
contraterrorismo." Stephens evita perguntas sobre o WikiLeaks e a forma
como o site expôs esse tipo de informação. "Não sei o que vai acontecer
com o WikiLeaks daqui pra frente", é o que ele diz.
Quando
o assunto é a prevenção, o advogado é pessimista: mesmo para os mais ricos, não
há como evitar a exposição. "Eu conheço celebridades que construíram
mansões enormes para que os papparazzi não tivessem como saber em que parte da
casa elas estavam. E isso funcionou até a invenção do Google Earth: hoje, eu
posso vê-las na piscina sem sequer sair da frente do meu computador",
brinca.