Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011         16h39        67
Dólar fecha a R$ 1,70 e Bovespa dispara 4,46% por Europa
Folha/LD

A taxa de câmbio doméstica retrocedeu para o seu menor nível de preços em mais de 30 dias, e já acumula uma desvalorização de 9,2% desde o início deste mês.

Em setembro, os preços da divisa americana dispararam 18%, em meio ao recrudescimento dos temores a respeito da crise europeia.

Hoje, os mercados deram um grande "suspiro" de alívio em relação ao Velho Continente. Em que pesem as dúvidas e o ceticismo de vários analistas em relação ao plano anticrise revelado hoje, as linhas gerais provocaram entusiasmo.

As Bolsas de Valores dispararam na Ásia, na Europa e no continente americano. E o euro tomou novo fôlego e voltou a oscilar acima de US$ 1,40, um patamar perdido há quase dois meses.

Às 16h45, Bovespa registrava alta de 4,46%, aos 59.694 pontos (pelo índice Ibovespa). O giro financeiro é de R$ 7,75 bilhões.

Já o dólar comercial (utilizado para exportações e importações) variou entre a cotação máxima de R$ 1,742 e a mínima de R$ 1,703, para ser negociado por R$ 1,709 nas últimas operações do dia, em um decréscimo de 2,89%.

Para turistas e viajantes, o dólar foi vendido por R$ 1,830 (recuo de 3,17%) e comprado por R$ 1,650 nas casas de câmbio paulistas.

Investidores, analistas e demais participantes do mercado financeiro saudaram o acordo em que ficou acertado um perdão de 50% da dívida grega. Ninguém mais tinha esperanças de que o país mediterrâneo pudesse evitar um calote sem algum tipo de intervenção financeira.

Também foi bem recebido o reforço no chamado de fundo de estabilidade financeira, que terá seu capital elevado de 440 bilhões de euros para 1 trilhão. Esse fundo será o colchão de segurança tanto para os bancos, em seus esforços de recapitalização, quanto para os demais países em dificuldades, a exemplo de Itália e Espanha.

Mas em meio à onda de entusiasmo que influenciou os negócios de hoje, também houve espaço para algum ceticismo. Um levantamento publicado pela agência Reuters entre 47 economistas do setor financeiro mostra que 24 opinaram ser insuficiente o cancelamento de "somente" metade da dívida grega.

Por aqui, outros profissionais também manifestaram cautela. "Se amanhã ou depois o mercado sentir que algumas medidas não vai se realizar como o anunciado, toda a oscilação vista hoje pode voltar", comenta o diretor da corretora Fourtrade, Luiz Baldan. "Realmente, o perdão da dívida grega nesse nível foi um grande negócio, mas precisamos ver isso acontecer na prática", acrescenta.

Esse profissional lembra que o último trimestre do ano é historicamente um período marcado por volatilidade e por saídas mais robustas de divisas (por conta de pagamentos e remessas de lucros).

BANCO CENTRAL

O Banco Central avisou logo pela manhã que vai consultar os bancos sobre a demanda por novos contratos de "swap" cambial. Essa operação equivale a uma venda de dólar, mas no mercado futuro. O resultado dessa consulta será divulgado após às 18h30 (hora de Brasília).

 

 

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