A
taxa de câmbio doméstica retrocedeu para o seu menor nível de preços em mais de
30 dias, e já acumula uma desvalorização de 9,2% desde o início deste mês.
Em
setembro, os preços da divisa americana dispararam 18%, em meio ao
recrudescimento dos temores a respeito da crise europeia.
Hoje,
os mercados deram um grande "suspiro" de alívio em relação ao Velho
Continente. Em que pesem as dúvidas e o ceticismo de vários analistas em
relação ao plano anticrise revelado hoje, as linhas gerais provocaram
entusiasmo.
As
Bolsas de Valores dispararam na Ásia, na Europa e no continente americano. E o
euro tomou novo fôlego e voltou a oscilar acima de US$ 1,40, um patamar perdido
há quase dois meses.
Às
16h45, Bovespa registrava alta de 4,46%, aos 59.694 pontos (pelo índice
Ibovespa). O giro financeiro é de R$ 7,75 bilhões.
Já
o dólar comercial (utilizado para exportações e importações) variou entre a
cotação máxima de R$ 1,742 e a mínima de R$ 1,703, para ser negociado por R$
1,709 nas últimas operações do dia, em um decréscimo de 2,89%.
Para
turistas e viajantes, o dólar foi vendido por R$ 1,830 (recuo de 3,17%) e
comprado por R$ 1,650 nas casas de câmbio paulistas.
Investidores,
analistas e demais participantes do mercado financeiro saudaram o acordo em que
ficou acertado um perdão de 50% da dívida grega. Ninguém mais tinha esperanças
de que o país mediterrâneo pudesse evitar um calote sem algum tipo de
intervenção financeira.
Também
foi bem recebido o reforço no chamado de fundo de estabilidade financeira, que
terá seu capital elevado de 440 bilhões de euros para 1 trilhão. Esse fundo
será o colchão de segurança tanto para os bancos, em seus esforços de
recapitalização, quanto para os demais países em dificuldades, a exemplo de
Itália e Espanha.
Mas
em meio à onda de entusiasmo que influenciou os negócios de hoje, também houve
espaço para algum ceticismo. Um levantamento publicado pela agência Reuters
entre 47 economistas do setor financeiro mostra que 24 opinaram ser
insuficiente o cancelamento de "somente" metade da dívida grega.
Por
aqui, outros profissionais também manifestaram cautela. "Se amanhã ou
depois o mercado sentir que algumas medidas não vai se realizar como o
anunciado, toda a oscilação vista hoje pode voltar", comenta o diretor da
corretora Fourtrade, Luiz Baldan. "Realmente, o perdão da dívida grega
nesse nível foi um grande negócio, mas precisamos ver isso acontecer na
prática", acrescenta.
Esse
profissional lembra que o último trimestre do ano é historicamente um período
marcado por volatilidade e por saídas mais robustas de divisas (por conta de
pagamentos e remessas de lucros).
BANCO CENTRAL
O
Banco Central avisou logo pela manhã que vai consultar os bancos sobre a
demanda por novos contratos de "swap" cambial. Essa operação equivale
a uma venda de dólar, mas no mercado futuro. O resultado dessa consulta será
divulgado após às 18h30 (hora de Brasília).