O
relatório da ONU sobre o estado da população mundial, que, segunda as
estimativas, chegou a 7 bilhões de pessoas, tem um tom que mistura celebração e
preocupação. Apesar de ter um tom comemorativo, ele aponta os desafios para a
qualidade de vida de todos que vivem no planeta e indica caminhos para atingir
a sustentabilidade. Para um movimento fundado nos Estados Unidos, entretanto,
não há caminho real para que os seres humanos vivam de forma equilibrada com o
planeta, e a única forma de alcançar uma vida feliz para todos é o da extinção.
"Somos
uma ameaça à vida na Terra. Já passamos da capacidade de manter uma vida
sustentável no mundo há muito tempo. Cada pessoa nova é um fardo para o
planeta. Não há motivo para celebrar a chegada a 7 bilhões de pessoas",
disse Les U. Knight, um dos diretores do Movimento da Extinção Humana
Voluntária (VHEMT), em entrevista ao G1.
A proposta do grupo é menos apocalíptica do que seu nome
pode fazer parecer. O movimento não defende suicídios coletivos, ou um
apocalipse voluntário, mas apenas promove a vida "sem reprodução",
sem que sejam colocados novos seres humanos no mundo. A extinção ocorreria
quando todos os humanos vivos hoje morressem naturalmente após uma "longa
vida".
"O
movimento é um estado mental. A única coisa que os membros do VHEMT têm que
fazer é não se reproduzir. Para alguns, isso é um sacrifício. A cultura global
incentiva a reprodução e é difícil lidar com esta idéia", disse. Ele
ressalta, entretanto, que evitar a reprodução não é o mesmo que parar de ter
relações sexuais, mas apenas incentivar o uso de métodos contraceptivos.
Segundo
Knight, mesmo quem já tem filhos pode se apegar à idéia do movimento e fazer
sua parte. "Não somos contra sexo e não somos contra crianças. Pelo
contrário, achamos que precisamos cuidar muito bem das que já existem, e um dos
passos para isso é evitar que surjam novas crianças."
Extinção
Um
dos motivos apontados pelo VHEMT para defender a extinção humana é ambiental. A
extinção de outras espécies está ocorrendo, diz Knight, e a destruição delas
ajuda a levar ao colapso ecológico. "Estamos destruindo a cadeia alimentar
e destruindo a nós mesmos. Não é possível saber quando, mas acreditamos que sem
um movimento voluntário de extinção, chegaremos a uma situação em que seremos
extintos de forma involuntária pela falta de condições do planeta em suportar a
população mundial", explicou.
O
movimento não é só ambientalista, entretanto. Há uma crítica à humanidade como
um todo nele, "mas uma crítica aliada a uma preocupação com o bem-estar da
humanidade que já existe. Não queremos dizimar as pessoas, mas garantir que as
pessoas tenham uma vida melhor através da diminuição das pessoas no mundo,
evitando colocar novas pessoas no planeta. Parar a reprodução humana melhoraria
a vida das pessoas e diminuiria o impacto delas no mundo."
Segundo
ele, é preciso falar de forma radical, em extinção, porque só diminuir
temporariamente a população não resolveria nada. "Estamos indo na direção
errada. Se diminuíssemos a população, logo logo a reprodução faria a população
crescer novamente."
Knight
rejeita qualquer idéia de que o controle da população deva ser feito por
regiões, ou apenas em áreas mais pobres. Segundo ele, os países ricos têm uma
taxa de reprodução mais baixa, mas cada pessoa nessas regiões tem um impacto
maior no ambiente. "Os países ricos são os primeiros que devem parar a
reprodução."
Segundo
ele, milhares de pessoas apóiam o VHEMT na internet, mas deve haver
"milhões" de pessoas que seguem o que é defendido pelo grupo. Mesmo
assim, ele sabe que o objetivo central do movimento é mais levantar a
discussão, provocar, do que de fato alcançar a extinção. "O movimento não
tem chance de ser bem-sucedido, mas cada criança é um peso para o mundo. Não há
justificativa para a manutenção da nossa espécie. Não podemos justificar nossa
existência."