A desvalorização de 9,5% do dólar em outubro, a
maior em um mês desde 2003, causou queda de até 15% no comércio das cidades de
fronteira em Mato Grosso do Sul. O maior impacto foi sentido em Ponta Porã, que
"perdeu" consumidores para Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A moeda
americana fechou outubro em R$ 1,70, após constantes altas que elevaram a
divisa para mais de R$ 1,90.
"O dólar menor prejudica o comércio da cidade,
aqui o imposto é 40%, no Paraguai 10%. As vendas já caíram entre 12% e 15%",
afirmou Evaldo Pavão Senger, presidente da Associação Comercial de Ponta Porã.
O dólar paralelo, modalidade usada para compras no
Paraguai, fechou o dia ontem em R$ 1,83. Segundo Pavão, o ideal seria um valor
da divisa próximo aos R$ 2. "Assim é bom para todos, os comerciantes
paraguaios continuam ganhando, e a população de Ponta Porã segue girando o
comércio da cidade", comentou. Devido a forte concorrências, dois mercados
especializados no atacado da cidade acabaram fechando as portas.
Outro fator que está atrapalhando as vendas,
segundo o dirigente comercial, é o reforço nas fiscalizações na fronteira.
"O aumento das barreiras, como a Guarda Nacional, afasta o turista, e
Ponta Porã acaba perdendo também volume no setor gastronômico e hoteleiro",
relatou Pavão.
Já Corumbá, cidade que faz fronteira com a
boliviana Puerto Suárez, não sofre tanto com a concorrência. "Na Bolívia a
população compra mais roupas, o resto adquire no Brasil mesmo, até porque a
cidade boliviana não tem um apelo grande para o comércio, como Pedro Juan
Caballero", explicou Alfredo Zamlutti Júnior, presidente da Associação
Comercial de Corumbá. Ele admite porém queda na movimentação financeira, mas vê
como fator negativo a dependência do turismo pesqueiro, e a falta de outras
opções, fora as datas sazonais, como o Festival das Águas.
A valorização do real em outubro acabou compensando
o mês anterior. Em setembro a preocupação com a crise na Europa fez o dólar
disparar 18%, e alcançar mais de R$ 1,95. As novas medidas contra a crise
aprovadas por líderes europeus, principalmente na segunda metade de outubro,
são apontados como os fatores preponderantes na queda acentuada do dólar no
mês.
Ontem, com o temor de calote da Grécia, o dólar
comercial voltou a subir, e fechou o dia vendido a R$ 1,73, alta de 2%.