Sábado, 05 de Novembro de 2011         11h54        314
Governo cancela contrato para aquisição de Land Rovers por "suspeita"
Folha/PCS

O governador Silval Barbosa determinou no início da noite desta sexta-feira, 4, o cancelamento do contrato para a compra, sem licitação, de R$ 14 milhões em equipamentos de radar para o monitoramento da fronteira com a Bolívia, firmado com a empresa Globaltech Prospecção de Negócios Ltda. Havia indícios de irregularidades na compra de dez veículos Land Rover equipados com um sistema de radar móvel de fabricação russa. Cada conjunto custa R$ 1,4 milhão.

A aquisição, feita pela extinta Agência Executora de Projetos da Copa do Mundo no Pantanal, a Agecopa, é investigada pelo Ministério Público e considerado ilegal em parecer de auditoria do Tribunal de Contas do Estado. A empresa fornecedora dos equipamentos foi criada em agosto de 2010 por dois oficiais da ativa do Exército, os tenentes-coronéis Carlos Alberto Pereira Leonel Marsiglia, sócio-majoritário com 83% das cotas, e Adhemar Luiz de Carvalho Lima.

A auditoria do TCE qualificou a Globaltech como uma empresa "constituída às pressas" e "sem nenhuma experiência comprovada". Suspeita-se inclusive que seja apenas empresa de fachada.

O investimento havia sido justificado como parte da preparação do Estado para receber jogos da Copa de 2014 e viria atender, segundo afirmou à ocasião o governo, exigências da Fifa para o "controle e monitoramento da fronteira".

Em breve nota expedida nesta sexta-feira, o Governo reitera  a necessidade de investimentos em segurança e no combate ao crime organizado na região da fronteira. E anuncia que novas ações e projetos para a região serão implementados dentro da política de segurança pública do Estado.

Pesou na decisão do governador o desgaste politico. Silval pediu que a questão envolvendo a denuncia da aquisição dos equipamentos fossem feito totalmente às claras. O Governo chegou a sugeriu que o negócio dos Land Rover havia, inclusive, posição favorável do Exército.

 

A Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, no entanto, nega qualquer autorização  a Global Tech “a adquirir e/ou produzir equipamentos móveis destinados à detecção e vigilância de alvos" e ressalta que a Globaltech apenas pediu a autorização para importar e montar os equipamentos, mas não apresentou documentos "suficientes para caracterizar o produto".

"Diante deste quadro, a DFPC, em 3 de março de 2011, solicitou mais informações sobre o produto, a fim de subsidiar futura orientação à empresa. Até a presente data a empresa não enviou as informações solicitadas", diz outro trecho da nota do departamento do Exército.

A “Folha de S. Paulo”, anteriormente, havia feito contato com Guilherme Nascentes, um dos sócios da Globaltech. Na ocasião, segundo o jornal, ele defendeu a opção feita por Mato Grosso. "O similar israelense é infinitamente mais caro. O americano, embora tenha custo equivalente, não prevê transferência de tecnologia", declarou.

 

 

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