O
governador Silval Barbosa determinou no início da noite desta sexta-feira, 4, o
cancelamento do contrato para a compra, sem licitação, de R$ 14 milhões em
equipamentos de radar para o monitoramento da fronteira com a Bolívia, firmado
com a empresa Globaltech Prospecção de Negócios Ltda. Havia indícios de
irregularidades na compra de dez veículos Land Rover equipados com um sistema
de radar móvel de fabricação russa. Cada conjunto custa R$ 1,4 milhão.
A
aquisição, feita pela extinta Agência Executora de Projetos da Copa do Mundo no
Pantanal, a Agecopa, é investigada pelo Ministério Público e considerado ilegal
em parecer de auditoria do Tribunal de Contas do Estado. A empresa fornecedora
dos equipamentos foi criada em agosto de 2010 por dois oficiais da ativa do
Exército, os tenentes-coronéis Carlos Alberto Pereira Leonel Marsiglia,
sócio-majoritário com 83% das cotas, e Adhemar Luiz de Carvalho Lima.
A
auditoria do TCE qualificou a Globaltech como uma empresa "constituída às
pressas" e "sem nenhuma experiência comprovada". Suspeita-se
inclusive que seja apenas empresa de fachada.
O
investimento havia sido justificado como parte da preparação do Estado para
receber jogos da Copa de 2014 e viria atender, segundo afirmou à ocasião o
governo, exigências da Fifa para o "controle e monitoramento da
fronteira".
Em
breve nota expedida nesta sexta-feira, o Governo reitera a necessidade de
investimentos em segurança e no combate ao crime organizado na região da
fronteira. E anuncia que novas ações e projetos para a região serão
implementados dentro da política de segurança pública do Estado.
Pesou
na decisão do governador o desgaste politico. Silval pediu que a questão
envolvendo a denuncia da aquisição dos equipamentos fossem feito totalmente às
claras. O Governo chegou a sugeriu que o negócio dos Land Rover havia,
inclusive, posição favorável do Exército.
A
Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, no entanto, nega qualquer
autorização a Global Tech “a adquirir e/ou produzir equipamentos móveis
destinados à detecção e vigilância de alvos" e ressalta que a Globaltech
apenas pediu a autorização para importar e montar os equipamentos, mas não
apresentou documentos "suficientes para caracterizar o produto".
"Diante
deste quadro, a DFPC, em 3 de março de 2011, solicitou mais informações sobre o
produto, a fim de subsidiar futura orientação à empresa. Até a presente data a
empresa não enviou as informações solicitadas", diz outro trecho da nota
do departamento do Exército.
A
“Folha de S. Paulo”, anteriormente, havia feito contato com Guilherme
Nascentes, um dos sócios da Globaltech. Na ocasião, segundo o jornal, ele
defendeu a opção feita por Mato Grosso. "O similar israelense é
infinitamente mais caro. O americano, embora tenha custo equivalente, não prevê
transferência de tecnologia", declarou.