Quarta-feira, 09 de Novembro de 2011         06h40        107
Guerreiro renuncia e Orro não deixa Claro assumir no Legislativo estadual
Correio do Estado/PCS

Um dos campeões de ausências nas sessões legislativas, o deputado estadual Felipe Orro (PDT) anunciou, ontem, que está retornando hoje ao cargo, depois de pedir licença de 121 dias para acompanhar tratamento de saúde do seu pai, o ex-deputado estadual Roberto Orro, vitimado de doença visual.

O suplente Gerson Claro, também do PDT, que comprou terno novo e engomou a gola da camisa social, além de ter decorado o juramento de parlamentar, foi pego de surpresa com a decisão, mas também não lamentou ficar sem o mandato por 90 dias.

"Como diz o ditado, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", afirmou Claro, ao reiterar que só se declararia deputado depois de ver publicado no Diário Oficial do Estado sua convocação. No dia anterior, ele chegou a combinar com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jerson Domingos (PMDB), o ritual de sua posse. Ontem, no entanto, Felipe Orro foi à Casa de Leis informar seu retorno 90 dias antes do previsto.

O anúncio do deputado gazeteiro deixou mais do que evidente que a sua saída foi uma armação: os líderes do PDT acreditavam que o primeiro suplente, vereador Ângelo Guerreiro (PSD), renunciaria ao seu mandato, na Câmara Municipal de Três Lagoas para assumir a vaga aberta na Assembleia. Guerreiro foi muito mais esperto: abriu mão da vaga temporária e continuou como vereador.

Se Guerreiro, candidato a prefeito em Três Lagoas, tivesse renunciado, certamente nem teria sido empossado: Orro estava pronto para voltar a qualquer hora e deixar o vereador com "cara de boi sonso". Mas essa marca ficou para o segundo suplente Gerson Claro, um homem de bem que não merecia ser a principal e única vítima da artimanha do seu partido, o PDT.

Indagado sobre a manobra, Orro apressou-se em justificar a sua volta antecipada à Assembleia Legislativa. "Qual a vantagem que eu teria em prejudicar o Guerreiro? Não tenho nada contra ele", disse. Ele, contudo, reconheceu que não gostou da notícia de o vereador ter trocado o PDT pelo PSD. "Não vou negar que gostaria que ele ficasse no PDT", comentou.

Se quisesse evitar a convocação do suplente, Orro poderia ter pedido 120 dias de afastamento, prazo que não exige substituto. Entretanto, ele solicitou 116 dias de afastamento para tratar de assuntos particulares e mais cinco dias de licença médica. De acordo com o Regimento Interno da Assembleia, o prazo de afastamento para tratar de assuntos particulares não pode ultrapassar a 120 dias e no período o parlamentar não recebe salário.

"Solicitei 121 dias para não prejudicar a votação de projetos importantes, como do Orçamento do Estado para 2012", explicou Orro. Para apreciar a matéria, no entanto, não é necessária a presença dos 24 deputados e constumeiramente, em todas as sessões, as faltas ultrapassam a um parlamentar, sem prejudicar o andamento dos trabalhos. Ainda segundo Felipe Orro, a antecipação do seu retorno ocorreu porque o estado de saúde do seu pai melhorou consideravelmente.

 

 

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