Um dos campeões de ausências nas sessões
legislativas, o deputado estadual Felipe Orro (PDT) anunciou, ontem, que está
retornando hoje ao cargo, depois de pedir licença de 121 dias para acompanhar
tratamento de saúde do seu pai, o ex-deputado estadual Roberto Orro, vitimado
de doença visual.
O suplente Gerson Claro, também do PDT, que comprou terno
novo e engomou a gola da camisa social, além de ter decorado o juramento de
parlamentar, foi pego de surpresa com a decisão, mas também não lamentou ficar
sem o mandato por 90 dias.
"Como diz o ditado, cautela e caldo de galinha
não fazem mal a ninguém", afirmou Claro, ao reiterar que só se declararia
deputado depois de ver publicado no Diário Oficial do Estado sua convocação. No
dia anterior, ele chegou a combinar com o presidente da Assembleia Legislativa,
deputado Jerson Domingos (PMDB), o ritual de sua posse. Ontem, no entanto,
Felipe Orro foi à Casa de Leis informar seu retorno 90 dias antes do previsto.
O anúncio do deputado gazeteiro deixou mais do que
evidente que a sua saída foi uma armação: os líderes do PDT acreditavam que o
primeiro suplente, vereador Ângelo Guerreiro (PSD), renunciaria ao seu mandato,
na Câmara Municipal de Três Lagoas para assumir a vaga aberta na Assembleia.
Guerreiro foi muito mais esperto: abriu mão da vaga temporária e continuou como
vereador.
Se Guerreiro, candidato a prefeito em Três Lagoas, tivesse
renunciado, certamente nem teria sido empossado: Orro estava pronto para voltar
a qualquer hora e deixar o vereador com "cara de boi sonso". Mas essa
marca ficou para o segundo suplente Gerson Claro, um homem de bem que não
merecia ser a principal e única vítima da artimanha do seu partido, o PDT.
Indagado sobre a manobra, Orro apressou-se em
justificar a sua volta antecipada à Assembleia Legislativa. "Qual a
vantagem que eu teria em prejudicar o Guerreiro? Não tenho nada contra
ele", disse. Ele, contudo, reconheceu que não gostou da notícia de o
vereador ter trocado o PDT pelo PSD. "Não vou negar que gostaria que ele ficasse
no PDT", comentou.
Se quisesse evitar a convocação do suplente, Orro
poderia ter pedido 120 dias de afastamento, prazo que não exige substituto.
Entretanto, ele solicitou 116 dias de afastamento para tratar de assuntos
particulares e mais cinco dias de licença médica. De acordo com o Regimento
Interno da Assembleia, o prazo de afastamento para tratar de assuntos
particulares não pode ultrapassar a 120 dias e no período o parlamentar não
recebe salário.
"Solicitei 121 dias para não prejudicar a
votação de projetos importantes, como do Orçamento do Estado para 2012",
explicou Orro. Para apreciar a matéria, no entanto, não é necessária a presença
dos 24 deputados e constumeiramente, em todas as sessões, as faltas ultrapassam
a um parlamentar, sem prejudicar o andamento dos trabalhos. Ainda segundo
Felipe Orro, a antecipação do seu retorno ocorreu porque o estado de saúde do
seu pai melhorou consideravelmente.