Há um ano e cinco meses, o prefeito da cidade mato-grossense de Campo Verde, Dimorvan Brescancim, fechou um convênio de co-gestão com a Sociedade Beneficente São Camilo para a administração do hospital Coração de Jesus do município. Na última quinta-feira (10), uma comitiva de São Gabriel do Oeste visitou o hospital para conhecer o funcionamento da parceria.
Formada pelo prefeito Sérgio Marcon, vereadores, servidores do Hospital Municipal são-gabrielense e integrantes do Conselho Municipal de Saúde, a comitiva conversou com a direção da instituição mato-grossense, com o prefeito e o secretário municipal de Saúde Wisley Clemente para tirar todas as dúvidas sobre atendimentos, reaproveitamento de funcionários e resultados da parceria com a entidade filantrópica. O intuito foi buscar embasamentos para continuar a discussão sobre a possibilidade de se implantar a parceria também em São Gabriel.
Com cerca de 32 mil habitantes, o hospital de Campo Verde conta hoje com 28 leitos para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) - seis a menos que São Gabriel. O local realiza ainda, em média, de 3 mil consultas ao mês, quantidade semelhante ao Hospital Municipal José Valdir de Oliveira.
“Assim como São Gabriel do Oeste, o nosso município estava com o aumento cada vez maior, chegando a ter 150 pessoas na porta do hospital”, explica o prefeito campo-verdense, Dimorvan. “Destes atendimentos, 80% eram atendimentos ambulatoriais, que podem ser feitos nos postos de saúde. E isso precisava ser revertido, porque o custo de manutenção de um hospital municipal para atender atendimentos típicos de PSF é muito alto”, aponta.
SITUAÇÃO PARECIDA - A situação é bastante parecida com São Gabriel do Oeste, que tem um número de atendimentos hospitalares muito acima da média da região. “A sobrecarga no hospital é alta e entre os motivos está que as pessoas não procuram o posto de saúde”, destaca o prefeito Sérgio Marcon, que verificou in loco os resultados depois da parceria de Campo Verde com a entidade filantrópica.
Para o secretário municipal de Saúde campo-verdense, Wisley Clemente, após o convênio com a São Camilo foi possível “atender melhor a população com menores custos”. “Se não tivéssemos tomado esta decisão, em breve a saúde de nossa cidade estaria inviabilizada, o que compromete todas as áreas da Prefeitura”, explica. “Houve uma profissionalização no atendimento do hospital e obtivemos economia de recursos, que foram reinvestidos na atenção básica, com reforma de postos, abertura de novas unidades e compra de equipamentos nos PSFs”, afirma Wisley. “Não é uma privatização e sim um convênio de co-gestão, em que a Prefeitura tem total controle sobre o que é gasto e tudo é minuciosamente previsto em contrato”.
É o que também explicou o diretor administrativo do Hospital, Everton Marcos de Oliveira. “Como é um convênio de co-gestão com uma entidade filantrópica (São Camilo), prestamos contas para a Secretaria Municipal de Saúde, ao Conselho Municipal de Saúde e ao Ministério Público, quando necessário. Todo o funcionamento, absorção de funcionários e atendimentos são previamente acordados no contrato, em uma negociação tranquila que atende às peculiaridades de cada local. Aqui, por exemplo, ainda temos alguns servidores públicos no quadro do hospital; o restante foi reabsorvido pela Prefeitura”.
ATENDIMENTO À POPULAÇÃO - De acordo com dados fornecidos pela administração, no hospital municipal de Campo Verde mais de 95% dos atendimentos são de pacientes do SUS. “Quem entra pela porta do hospital recebe atendimento igualitário, não há distinção na urgência e emergência”, explica Oliveira. “Quando é uma consulta eletiva (não-urgente), se o paciente do convênio optar ser atendido por um médico que não está de plantão, terá que pagar”.
Os números mostram o que Oliveira quer dizer. Em julho de 2010, por exemplo, foram 1.430 consultas pelo SUS e apenas 30 particulares ou por convênios. Das 573 internações realizadas, apenas 23 foram por convênios. Dos 26 partos realizados, 25 foram pelo SUS. O mesmo aconteceu com as cirurgias - de 50 cirurgias realizadas em um mês, apenas 2 foram particulares.
Outra mudança apontada por Oliveira foi o incremento nas especialidades médicas disponíveis. “Temos agora um cardiologista, que realiza exames como eletrocardiogramas e outros”.