A Santa Casa vai retomar os transplantes de córnea, coração, ossos e de rim através de doador cadáver a partir do próximo ano conforme informou ontem a secretária estadual de Saúde, Beatriz Figueiredo Dobashi. "Todos os transplantes serão retomados na Santa Casa. Nós estamos resolvendo o problema de falta de salas para o centro cirúrgico e falta de leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs"). Com certeza no próximo ano os transplantes voltam à normalidade".
O transplante de coração, por exemplo, está suspenso há pelo menos seis anos e o procedimento deveria ter sido retomado em agosto passado, conforme anunciou, em julho, o chefe da equipe de transplantes cardíacos da Santa Casa, doutor João Jazbik. Há mais de quatro meses foi concluída a reforma do CTI que irá abrigar os pacientes que fizerem transplante de coração.
O de rim está sendo feito apenas quando envolve doadores intervivos, ou seja, parentes. No entanto, há pelo menos um ano não são realizados procedimentos com órgão de doador cadáver. Já o transplante de córnea, segundo a coordenadora a da Central de Transplantes do Estado, Claire Miozzo, estava sendo feito no Hospital São Julião e em três clínicas particulares em Campo Grande, além de um hospital de Três Lagoas. "Venceu o contarto da Santa Casa com o SUS para fazer os transplantes e agora estão se readequando para retomar os procedimentos e renovar o contrato", salientou a coordenadora.
Protesto
O anúncio de retomada dos transplantes na Santa Casa chega cinco dias após a manifestação dos renais crônicos de Campo Grande. No último sábado pelo menos 15 pacientes, que estão entre os 360 renais crônicos que aguardam na fila por um transplante de rim através de doador cadáver, protestaram na Avenida Afonso Pena contra a suspensão do procedimento.
Eles denunciaram que só este ano pelo menos 28 rins coletados em Mato Grosso do Sul foram "exportados" para outros estados. "Eles podem fazer, mas não sei por quê não fazem. Isso é uma negligência e omissão de socorro por parte das autoridades que nos deixam morrer à espera de um transplante", disse o presidente da Associação dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul (Recromassul), José Roberto Ost.