O preço do gás natural veicular (GNV) deve sofrer reajuste de até 8% já no início de 2012, segundo a Companhia de Gás de Mato Grosso do Sul (MSGÁS), que possui a concessão de distribuição e comercialização do produto. Segundo a diretoria da instituição, desde junho de 2008 o preço do combustível aumentou aproximadamente 42% para a empresa, custo ainda não repassado ao consumidor.
Hoje o metro cúbico do GNV custa, em média, R$ 1,74 em Campo Grande, valor que pode ser reajustado para aproximadamente R$ 1,87 no próximo ano. O diretor-presidente da MSGÁS, Matias Gonsales Soares, explicou que o pedido de aumento para a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de MS (Agepan) já foi realizado. "Ainda não repassamos o acréscimo de cerca de 42% que tivemos no preço em três anos e meio, até para incentivar as indústrias e consumidores, mas agora pedimos esse reajuste. Todos os empresários sabem que estamos segurando, e já esperam esse pequeno aumento", afirmou Soares.
Nesses mais de três anos, o consumidor pode ter notado sim um aumento no preço do gás veicular nos Postos de Combustíveis, porém, segundo a MSGÁS, os reajustes foram opções dos próprios estabelecimentos comerciais. "Nós não subimos o preço, na bomba (de combustível) pode ter aumentado, mas aí por opção do empresário, pela margem de lucro por exemplo", comentou Soares.
Vários pontos seriam responsáveis pela alta dos preços para a Companhia de Gás, desde a forte oscilação do dólar neste ano, até o aumento no preço da chamada "cesta de óleos", que consiste em produtos derivadas do Petróleo.
Mesmo com o possível aumento de 8% no preço, a Companhia de Gás acredita na possibilidade do combustível ganhar espaço contra seus concorrentes diretos, a gasolina e o etanol. Segundo a MSGÁS, o GNV ainda é atrativo, e o que faltaria para uma maior adesão dos motoristas são campanhas institucionais, como as realizadas pelo Governo federal no início do uso do gás veicular.
Outro fator apontado como entrave para expansão do combustível gasoso foi a eleição de Evo Morales como presidente boliviano, apoiado em uma plataforma de campanha que incluía a estatização das empresas estrangeiras no Brasil. No início de 2006, a incerteza quanto ao país vizinho, de onde a Petrobras importa o gás natural, acabou deixando o consumidor brasileiro temeroso. "O que acabou acontecendo é que a Petrobras não sofreu nenhum problema na Bolívia, mas acabou influenciando muito aqui no país", reatou Matias Soares.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos, Lojas de Conveniência e Lubrificantes de MS (Sinpetro), Mário Shiraishi, estava viajando e não foi encontrado para comentar o possível reajuste.