O relator do projeto de lei (PL 1738/11) deputado Luiz Henrique
Mandetta (DEM-MS) requisitou informações aos Ministérios da Agricultura e da
Saúde, sobre os protocolos e registros referentes à vacina contra leishmaniose
animal.
O PL estabelece a política de vacinação contra a doença, o
deputado democrata quer conhecer os ensaios clínicos e a comprovação cientifica
da medicação, antes de elaborar seu relatório
final.
Ele lembra a existência da portaria interministerial 1.426 de
11/07/2008, dos Ministérios da Agricultura e da Saúde, estipulando que a vacina
contra leishmaniose teria que passar pelas fases de pesquisa 1, 2 e 3 antes da
deliberação conjunta sobre sua validade.
Como o Ministério da Saúde alega não ter os estudos referentes à
fase final, o parlamentar teme que adotar essa vacina, sem a comprovação
cientifica, coloque em risco a população. “Nosso parecer será pautado em
comprovações cientificas” garantiu
Durante audiência pública realizada na ultima terça-feira (22) na
Câmara dos Deputados ficou evidente a falta de consenso entre especialistas e o
próprio governo sobre o uso de vacina e o tratamento contra leishmaniose
animal.
“O reconhecimento da vacina pelo Ministério da Agricultura, mesmo
que sem a anuência do Ministério da Saúde, abriu espaço para apresentação do
projeto do deputado Geraldo Rezende (PMDB-MS). Mas o momento exige cautela e
pesquisa acerca de todos os entendimentos interministeriais e sobre a
prerrogativa de reconhecimento da vacina” afirmou Mandetta.
Atualmente, o Ministério da Saúde proíbe o tratamento de cães com
leishmaniose com medicamentos para uso humano e determina o sacrifício desses
animais. Em 2010, cerca de três mil pessoas foram infectadas com a doença, que
não é transmitida do homem para o homem.
O cão é o principal hospedeiro do parasita e o contágio se dá
quando o mosquito vetor pica o cão doente e, depois, uma pessoa. A doença é
letal e, segundo o Ministério da Saúde, o índice de mortes entre os pacientes
tratados está em torno de 6%.
Organização Mundial da Saúde
O coordenador geral de doenças transmissíveis do Ministério da
Saúde, José Ricardo Marins, informou que a eutanásia de cães é recomendada pela
Organização Mundial da Saúde e que nenhuma vacina atende aos critérios de segurança
e à relação custo-eficiência exigidos pelo governo brasileiro.
“Até o momento, nós não temos nenhuma comprovação de que há
segurança no uso [da vacina] e que não vá haver transmissão para humanos a
partir de cães vacinados. Essa política de eutanásia tem surtido efeito. Nos
municípios mais infectados, houve uma queda de 50% no número de casos desde
2004, porém a doença continua se expandindo, porque novos municípios, que não
tinham a transmissão, hoje têm”, afirmou Marins.
Ele informou ainda que todas as instituições de pesquisa,
inclusive, o Conselho Federal de Medicina Veterinária, concordam que a única
forma confiável até hoje é a atualmente adotada pelo Brasil.
O PL 1738- 2011, depois de passar pela Comissão de Seguridade
Social e Família, tramitará nas comissões de Agricultura, Pecuária e
Abastecimento; Finanças e Tributação e na de Constituição, Justiça e Cidadania.