O governador André Puccinelli esteve
em três ministérios nesta semana, para evitar que Mato Grosso do Sul perca
investimentos de R$ 15 bilhões dos setores sucroenergético e de papel e
celulose (madeira). Ao todo são oito empreendimentos “emperrados” por causa do
parecer da Advocacia-Geral da União 01/2008 sobre a compra de terras por
empresas estrangeiras.
Acompanhado por um grupo de
empresários e parlamentares federais, Puccinelli esteve com o ministro da
Agricultura, Mendes Ribeiro; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Fernando Pimentel; e a ministra chefe da Casa Civil da Presidência da
República, Gleisi Hoffmann, para explicar as consequências deste parecer da AGU
para a economia estadual. “Eu vim defender o meu Estado, temos a oportunidade
de trazer oito empreendimentos para Mato Grosso do Sul, são 15 bilhões de
reais, com industrialização vertical”, destacou Puccinelli.
Nas reuniões, foi explicado
que o setor de papel e celulose tem expectativa de investir R$ 20 bilhões nos
próximos 10 anos no Brasil, sendo que “todas [as empresas] são brasileiras, com
CNPJ nacional. São empresas nacionais e, empresas nacionais com controle de
capital estrangeiro também são brasileiras. São diferentes de empresas
estrangeiras”, enfatizou Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa
(Associação Brasileira de Celulose e Papel), explicando que as empresas do
setor têm capital externo.
“Não é capital especulativo, estes
dois setores não usam a terra como barriga de aluguel, este dois setores
produzem internamente, industrializam os produtos”, afirmou Puccinelli,
completando que em Mato Grosso do Sul são R$ 15 bilhões em investimentos dos
dois setores; no país, o valor chega a R$ 150 bilhões. “Não temos poupança
interna suficiente para garantir tal volume de investimentos”, afirmou o
governador.
Ao todo são oito empreendimentos
em stand-by,
sendo seis do setor sucroenergético e dois da área de papel e celulose por
causa do parecer da AGU. O problema é que as usinas de álcool e açúcar precisam
ter 35 mil hectares ao redor da planta de produção para garantirem a
viabilidade. Estas áreas podem ser próprias ou arrendadas. Já a indústria de
papel e celulose precisa ter florestas próximas aos locais onde a madeira é
processada.
Neste parecer, divulgado no ano
passado, foi fixada nova interpretação para a Lei nº 5.709/71. Foram definidas,
entre outras restrições, que as empresas não poderão adquirir imóvel rural que
tenha mais de 50 módulos de exploração indefinida. Só poderão ser adquiridos
imóveis rurais destinados à implantação de projetos agrícolas, pecuários e
industriais que estejam vinculados aos seus objetivos de negócio previstos em
estatuto. As restrições alcançam também o tamanho da terra. A soma das áreas
rurais pertencentes a empresas estrangeiras ou controladas por estrangeiros não
poderá ultrapassar 25 por cento da superfície do município.
Foi com o intuito de mudar estas regras que o grupo
apresentou nos três ministérios um documento no qual pede que haja garantia de
que o Estado apresente um retrato fiel da propriedade de terra no país; que
seja dado tratamento isonômico para todas as empresas, independente da origem
de seu capital; e que sejam respeitados os contratos firmados antes da
divulgação do parecer.