Pesquisadores americanos, utilizando uma estratégia análoga à
terapia gênica, conseguiram proteger ratos contra o vírus da Aids, com uma só
injeção, segundo um trabalho publicado na quarta-feira (30) pela revista
científica britânica "Nature". Essa estratégia permitiu induzir uma
produção permanente de anticorpos neutralizantes anti-HIV em ratos
geneticamente modificados, com uma só injeção aplicada no músculo da pata do
animal.
A técnica baseia-se no uso de um vetor, como um vírus inofensivo
associado ao adenovírus ou "AAV" - que transporta os genes
encarregados de programar a fabricação, diretamente no músculo, de anticorpos
protetores - que se distribuem em seguida por todo o organismo. Dado o nível de
proteção obtido por esse procedimento chamado "VIP" (por
"vectored immunoprophylaxis"), a equipe de biólogos de Caltech
(Instituto de Tecnologia na Califórnia), dirigido pelo Prêmio Nobel David
Baltimore, espera poder aplicar o tratamento em humanos.
Essa inmunorpofilaxis "VIP" tem um efeito semelhante ao
de uma vacina, mas sem fazer o sistema imunológico trabalhar, explicou
Alejandro Balazs, principal autor do estudo em um comunicado de imprensa de
Caltech. Esquematicamente, uma vacina compreende um antígeno, como uma bactéria
morta ou um elemento reconhecido de um vírus, e depois de injetado no corpo, o
sistema imunológico aprende a fabricar anticorpos para combatê-lo.
Este procedimento clássico não permitiu até o momento criar uma
vacina eficaz contra o vírus da Aids.
A equipe de investigadores projeta testar esse método em ensaios
clínicos limitados, primeiro para comprovar se é possível obter uma produção
suficiente de anticorpos a partir de um músculo humano.
"Como já sabemos que os anticorpos funcionam, acredito que
podemos induzir à produção de anticorpos suficientes nos genes, as
possibilidades de que o método VIP tenha sucesso são realmente elevadas",
disse Balazs.