Sábado, 03 de Dezembro de 2011         11h49        108
Grupo pela divisão do Pará adota tom agressivo
Folha/AQ

Após uma briga interna sobre os rumos da campanha, os defensores da divisão do Pará mudaram de tática e chegam à reta final do plebiscito com tom mais agressivo.

O marqueteiro Duda Mendonça, que comanda a propaganda do "sim", elegeu o governador paraense Simão Jatene (PSDB) como alvo das críticas da campanha.

A guinada encontrou resistência no comando político da campanha pela divisão, cujos integrantes são aliados de Jatene.

Duda se irritou com essa resistência na semana passada e houve até brigas na cúpula da campanha por causa disso. A tática do marqueteiro acabou prevalecendo.

Os próprios aliados de Jatene estavam insatisfeitos com a posição do governador, mas evitavam entrar em confronto aberto.

Eles afirmam que Jatene prometera neutralidade, mas nas últimas semanas passou a fazer críticas em público à campanha contra a divisão.

No próximo dia 11, os paraenses votarão em um plebiscito para dizer se querem que o Estado se divida e dê origem a mais outros dois: Carajás (sudeste do atual Pará) e Tapajós (oeste).

No horário eleitoral do plebiscito exibido na última quarta-feira, Jatene foi criticado por não ter lutado contra a Lei Kandir, criada por seu aliado Fernando Henrique Cardoso em 1996.

Essa lei causou perdas na arrecadação de impostos das mineradoras no Pará, por ter isentado de ICMS os minérios exportados. É vista por economistas como um dos principais problemas do Estado.

"Está na hora do povo do Pará saber a verdade. Saber que um dos grandes responsáveis pela pobreza do Pará se chama Simão Jatene", afirmou a locutora do programa.

O presidente da frente de campanha a favor do Carajás, deputado estadual João Salame Neto (PPS), ressalta que as críticas não são pessoais.

"O governador entrou na campanha e deu a deixa para que pudesse ser respondido", afirmou.

Ele é vice-líder do governo no Legislativo, mas entendeu que era necessária a mudança de tom.

Jatene já entrou na Justiça Eleitoral pedindo direito de resposta. "Ele passou a se pronunciar porque a campanha do "sim" começou a bater na autoestima do povo, ao dizer que nada aqui presta", disse o secretário de Comunicação, Ney Messias.

 

 

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