Entre
2009 e 2010, os gastos municipais com educação cresceram 10,7%, chegando a um
investimento total de R$ 80,92 bilhões. Os dados foram divulgados pela Frente
Nacional de Prefeitos (FNP) e incluem, na conta, repasses da União e dos estados
aplicados na área, pelas prefeituras. O aumento dos recursos é
consideravelmente superior ao verificado em 2009, quando a crise econômica
impactou negativamente na arrecadação fiscal. Naquele ano, os investimentos na
área cresceram apenas 2,8%.
Por
determinação constitucional, os municípios são obrigados a aplicar pelo menos
25% da arrecadação de impostos e transferências em educação. O aumento nos
investimentos, combinado a uma diminuição da população em idade escolar e,
consequentemente da matrícula nas redes municipais, fez crescer o gasto médio
anual por aluno que, em 2010, chegou a R$ 3.411,31 ao ano. No ano anterior,
esse valor tinha sido R$ 3.005,27, o que significa um crescimento de 13,5%.
Apesar
do aumento, há grandes desigualdades regionais nos gastos por matrícula. Um
aluno de uma escola pública do Sudeste, por exemplo, recebe o dobro de
investimento municipal do que um estudante do Nordeste: R$ 4.722,46 contra R$
2.309,60, respectivamente. No Norte, o gasto por aluno é R$ 2.381,75 anuais, no
Centro-Oeste R$ 3.622,28 e no Sul R$ 4.185,25.
Para
Maria do Carmo Lara, prefeita de Betim (MG) e vice-presidente para Assuntos de
Educação da FNP, as diferenças salariais dos professores de cada região têm
grande impacto nessa conta. Isso porque, em geral, os professores do Sudeste
ganham mais do que os do Norte ou Nordeste. “Também tem a questão do
investimento em educação de tempo integral. No Sudeste, tem muito mais escolas
que já oferecem essa modalidade e o impacto nos investimentos é grande”,
explica. A FNP defende uma maior participação da União nos gastos com educação,
especialmente nos estados que têm menor arrecadação.
A
maior parte dos municípios (42,3%) gasta em média de R$ 3 mil a R$ 5 mil por
aluno ao ano. Cerca de 28% investem de R$ 2 mil a R$ 3 mil, 17,6% de R$ 5 mil a
R$ 10 mil e 1,4% gastam mais de R$ 10 mil. Uma em cada dez prefeituras investe
menos do que R$ 2 mil por aluno anualmente.
A
prefeita de Betim avalia que os gastos em educação cresceram não apenas porque
há um aumento na arrecadação e, consequentemente, no percentual de recursos
aplicados. Para Maria do Carmo, o fato é que as prefeituras estão mais
interessadas em investir na área e “vários” municípios já aplicam mais do que
os 25% da arrecadação obrigatórios pela Constituição.
“Hoje,
você tem as avaliações e o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica,
indicador que mede a qualidade do ensino], que ajudam as escolas e os
municípios a estarem mais bem colocados em relação a outros. Isso faz com que
os municípios se organizem para melhorar a rede. O investimento em formação de
professores aumentou muito”, diz Maria do Carmo.
Analisando
o total dos investimentos, o levantamento mostra que houve crescimento das
despesas com educação em todas as regiões. O Norte e o Nordeste registraram
crescimento acima da média nacional em 2010: 15,3% e 11,8%, respectivamente. No
Sul, o aumento dos investimentos foi 8%, no Centro-Oeste, 9,6% e no Sudeste,
10,4%. Os municípios da Região Sudeste respondem por um terço das matrículas
municipais e por 46,7% do total de recursos aplicados pelas prefeituras em
educação. O Nordeste responde por 26,1% dos investimentos, o Sul por 13,5%, o
Norte por 7,9% e o Centro-Oeste por 5,8%.