Entra
em vigor nesta sexta-feira (9) a proibição da venda de três inibidores de
apetite feitos a base de anfetamina: a anfepramona, o femproporex e o mazindol.
A decisão tinha sido publicada em outubro pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa). Ela passa a valer agora porque foi dado um prazo de 60 dias
para a adaptação, e só agora terminou esse prazo.
Também
passam a valer as restrições à venda de outra substância usada como
emagrecedor: a sibutramina. Medicamentos ou fórmulas que a contenham não
poderão ser receitados com dose diária acima de 15 mg/dia (quinze miligramas
por dia). A Anvisa apresentou um modelo do termo de responsabilidade que deve
ser preenchido pelo médico que recomendar o uso da substância.
Histórico
No Brasil, a venda e o uso da sibutramina já eram restritos desde 2010, quando
o remédio foi incluído na lista de medicamentos "B2", que necessitam
de receitas especiais para serem solicitados pelos médicos. Agora, a partir da
decisão desta terça, médicos e pacientes terão também que assinar um termo de
compromisso ao prescrever ou utilizar a substância.
Além
disso, de acordo com a Anvisa, os laboratórios que fabricam ou comercializam
sibutramina terão que fazer acompanhamento de eventuais efeitos colaterais e
comunicar a Anvisa no caso de ocorrências.
A
agência informou que as medidas serão acompanhadas por 12 meses e que, após esse
período, a comercialização do produto voltará a ser discutida.
Relatório
O relatório de 700 páginas produzido pela Anvisa aponta que os benefícios da
perda de peso causados pela utilização da anfepramona, do femproporex e do mazindol
não superariam os riscos, tais como problemas cardíacos. O relatório diz ainda
que não há dados técnicos e científicos que comprovem a eficácia e segurança
destas substâncias no controle da obesidade.
Os
inibidores de apetite atuam em uma região do cérebro conhecida como hipotálamo,
que regula a sensação de fome e de saciedade.
Quanto à
sibutramina, o relatório diz que o registro da substância cumpriu os requisitos
de eficácia, “gerando desfecho clínico da perda de peso” e com “relação
benefício-risco favorável”. Sendo assim, a Anvisa permitirá que a substância
possa ser comercializada com algumas restrições, tais como controle na
prescrição médica para minimizar riscos.
O
relatório aponta que a sibutramina pode ser utilizada em pacientes obesos sem
história de doença cardiovascular e que não conseguem aderir a programas de
emagrecimento; com diabetes ou intolerância à glicose; dislipedêmicos;
hiperuricêmicos; mulheres com ovários policísticos e pacientes com hepatite não
alcoólica.
De
acordo com o relatório, a Anvisa recomenda que a utilização da sibutramina seja
suspensa caso o paciente não responda ao tratamento no período de quatro
semanas.
Exterior
A venda de remédios para emagrecer com sibutramina foi proibida pela agência
reguladora de remédios na Europa no início de 2010. A entidade alegou, na
época, que trabalhos científicos apontavam o aumento do risco de problemas
cardiovasculares em pacientes que usaram a sibutramina.
Conhecido
como Scout, o estudo que levou a agência reguladora europeia a banir o
medicamento contou com 9 mil pacientes obesos, monitorados durante 5 anos --
parte deles recebeu sibutramina e outra parte tomou uma medicação sem efeito
(placebo). Todos os integrantes da pesquisa passaram por dieta e praticavam
exercícios físicos.
No caso
dos Estados Unidos, a agência reguladora de alimentos (FDA, na sigla em inglês)
também recomendou o fim do uso do medicamento. Com isso, a Abbott, empresa
responsável pela venda da sibutramina, retirou o produto do mercado. Canadá e
Austrália também são países onde o comércio da droga é vetado.