O governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), livrou-se esta
noite da ação que pretendia cassar seu mandato, conquistado nas eleições do ano
passado. Por maioria, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reconheceu o delito
eleitoral na distribuição de 1.600 ovelhas na véspera das eleições, mas
entendeu que a pena de cassação era exagerada no caso. Pelo delito, Vilela
recebeu pena de R$ 10 mil, enquanto seu vice, José Thomaz Nonô (DEM) e a
coligação vencedora foram multados em R$ 5 mil cada.
O ação foi ajuizada por um dos adversários de Vilela na disputa
eleitoral, Ronaldo Lessa (PDT). Lessa acusou o governador reeleito em 2010 de
usar o programa social Alagoas Mais Ovinos para obter votos, uma vez que o
projeto foi criado no final de 2009, mas a maior parte da distribuição de
animais ocorreu entre agosto e setembro de 2010.
Para o relator do processo, ministro Arnaldo Versiani, o programa
não teve potencialidade de influenciar significativamente a votação para
governador no estado, já que apenas 235 famílias foram beneficiadas e a
diferença do resultado da disputa entre Vilela e Lessa foi de cerca de 75 mil
votos. Versiani lembrou ainda que a votação foi equilibrada nos sete municípios
que participaram do programa, sendo que Vilela obteve maioria de votos em
apenas dois deles.
O ministro também afastou a acusação de abuso de poder político e de propaganda
irregular argumentando que não houve ostensiva divulgação do programa para
promover a candidatura e que Vilela não participou da distribuição de ovelhas
ocorrida na véspera das eleições. Votaram com o relator os ministros Cármen
Lúcia, Nancy Andrighi, Marcelo Ribeiro e Ricardo Lewandowski.
Apesar de votar pela manutenção do mandato, o ministro Gilson Dipp
divergiu da maioria por entender que Vilela não poderia ser punido porque não
cometeu qualquer tipo de delito. Um dos argumentos usados pelo ministro é o
fato de a distribuição de ovelhas não ter sido gratuita, já que elas eram
emprestadas e deveriam ser devolvidas depois de sete anos.
O único voto pela cassação do mandato foi do ministro Marco
Aurélio Mello. “Fica dificil cogitar-se algum equilibrio, fica dificil cogitar
lisura em eleição futura quando há transgressão à lei e tudo se resolve com o
pagamento de uma multa que não é substancial. Assim vale a pena transgredir a
lei e buscar a ferro e fogo, com o atropelo da ordem jurídica, a
reeleição”. O ministro também criticou o sistema político atual que
permite a reeleição sem a necessidade de descompatibilização do cargo.