O
pequeno Thomas Miller, de cinco anos, sobreviveu a doze cirurgias no cérebro,
insuficiências renal e hepática, paralisia no lado esquerdo do corpo e cegueira
dos dois olhos. Tudo isso depois de comer um hambúrguer. O menino foi o único a
sobreviver à bactéria E.coli, depois que atinge o cérebro, no Reino Unido e um
dos quatro no mundo.
Thomas
ficou doente 24 horas depois de comer um hambúrguer em um passeio com a
família, na Escócia, há dois anos. O pequeno começou a perder sangue e foi
levado ao hospital pelos pais Joanne e Andrew. Começava aí a batalha da família
contra a doença.
Os
médicos descobriram que a bactéria tinha entrado na corrente sanguínea do
menino, atacando veias e vasos. Thomas recebeu uma transfusão de sangue, mas a
E.coli já havia atingido o cérebro. O caso era tão raro que os médicos
britânicos solicitaram a ajuda de especialistas canadenses.
“Ele
não estava falando comigo, o que era estranho, já que ele sempre foi um menino
agitado”, lembra Joanne. Durante o tratamento, Thomas sofreu reações alérgicas
tão sérias que precisaram ser tratadas por especialistas em queimaduras. Os
médicos chegaram a dizer aos pais que o menino não sobreviveria por mais uma
noite.
Thomas
foi mantido em coma e respirando com ajuda de aparelhos por dias. “Quando ele
acordou, os médicos ainda não sabiam se os danos no cérebro seriam permanentes.
Ele não mexia as pernas nem os braços”, contou Andrew.
De
acordo com o pai de Thomas, é muito raro um caso em que a bactéria E.coli
invade o cérebro. No Reino Unido, o último registrado foi em 1993. Depois que o
menino acordou do coma, os médicos fizeram cirurgias para remover os abcessos
que haviam se formado no cérebro e ele recuperou os movimentos e voltou a
enxergar.
Depois
de 20 semanas no hospital, Thomas voltou para casa. Mas a família logo
descobriu que a bactéria não havia sido totalmente exterminada e o pequeno
precisou retomar o tratamento. Ele sofreu uma reação alérgica, ficou com a pele
vermelha e queimada. “Eu vim buscá-lo e a pele dele saiu na minha mão”, conta o
pai.
Em
janeiro e fevereiro de 2010, Thomas passou por longas cirurgias para retirar
abcessos. E o efeito foi quase imediato. “Eu nunca vou esquecer do dia em que
saiu do tratamento intensivo. Ele perguntou pelo irmão, e eu soube naquele
momento que já estava tudo bem”, conta aliviada Joanne.