O
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira a
fusão entre a TAM e a chilena LAN, em uma operação que cria a Latam, a maior
companhia aérea da América Latina e uma das maiores do mundo. O negócio foi
aprovado por unanimidade pelo órgão antitruste, mas recebeu algumas restrições.
O
Cade avaliou que a fusão resultará em grande concentração de mercado nos voos
entre São Paulo, saindo do aeroporto de Guarulhos, e Santiago, no Chile. Nesses
trechos, a Latam teria mais de 80% do transporte de passageiros.
Por
isso, o relator do caso, Olavo Chinaglia, sugeriu o veto à união das companhias
nessa rota. A Latam terá de abrir mão de dois slots diários que a TAM possui em
Guarulhos com esse destino, que serão repassados para concorrentes. O órgão
antitruste do Chile já havia determinado que a Latam se desfizesse de slots
nessa rota.
O
Cade também determinou que essa permuta ocorra em horários comercialmente
atrativos, para permitir a efetiva concorrência de outras companhias nessa
rota. Inicialmente, a permuta deverá durar pelo menos três anos, que poderão
ser prorrogados pelo órgão de defesa da concorrência.
Chinaglia
disse ainda que a união de TAM e LAN deve trazer concentração em outras duas
rotas – entre São Paulo e Buenos Aires, na Argentina, e entre a capital
paulista e Lima, no Peru. Ainda assim, avalia que não serão necessárias
restrições nesses casos.
Assim
como seu par chileno, o Cade também decidiu que a Latam deverá optar por apenas
uma aliança global de milhagem. Atualmente, a TAM faz parte da Star Aliance e a
Lan integra a One World. O tribunal chileno antitruste aprovou a operação, mas
com ressalvas.
As
companhias anunciaram a fusão em agosto do ano passado, por US$ 3,8 bilhões. No
mesmo mês, o Ministério da Fazenda, por meio das secretarias de Acompanhamento
Econômico e de Direito Econômico, Seae e SDE, respectivamente, recomendou ao
Cade a aprovação da fusão sem restrições.
Executivos
da TAM e Lan esperam concluir a fusão no início de 2012. O grupo deve oferecer
transporte aéreo para 115 destinos em 23 países, além do transporte de cargas.