O
aumento desenfreado da frota de carros flex no Brasil, combinado com a produção
de etanol muito abaixo da demanda, tem feito com que na maioria dos estados do
país o combustível vegetal custe, na bomba, acima de 70% do preço da gasolina,
tornando seu uso desvantajoso para o consumidor, que é levado a reabastecer com
o derivado de petróleo.
Então,
na tentativa de economizar algum dinheiro, boa parte dos motoristas busca os
postos com combustíveis mais em conta. Porém, o que eles talvez não saibam é
que esta atitude pode ter um efeito totalmente contrário, podendo causar sérias
avarias no motor e consideráveis prejuízos.
É
que para oferecer um preço baixo e atraente para a gasolina, os donos de postos
desonestos comercializam o produto misturado com substâncias altamente
prejudiciais ao veículo.
Prova
disso, somente no mês de setembro, a Operação Combustível Adulterado, da
Agência Nacional do Petróleo (ANP), detectou o problema em 120 estabelecimentos
na cidade de São Paulo.
O
uso da gasolina “batizada” com subprodutos menos nobres do petróleo, como os
rafinados (ou solventes), contribui diretamente para reduzir a vida útil do
motor. Entre os danos, os resíduos da queima dos rafinados nas câmaras de
combustão contaminam o óleo lubrificante, criando uma espécie de verniz no
cárter, o que pode causar o entupimento da bomba responsável por fazer o óleo
circular pelo motor. A lubrificação deficiente aumenta o atrito entre as peças
móveis, que acabam seriamente danificadas.
“Fuja de postos sem bandeira”, alerta o
especialista em motores Vinícius Losacco, 63 anos, proprietário da oficina
mecânica que leva seu sobrenome (www.cco.com.br), fundada em 1925 e que hoje
está em sua quarta geração da família. Para quem usa pouco o veículo, Losacco
aconselha que não encha o tanque, mas também evite andar na reserva, para que a
sujeira depositada no fundo não seja enviada para o motor. “Ao envelhecer no
reservatório, a borra criada pela gasolina ruim pode entupir os bicos
injetores. Se um ou mais deles travar aberto, pode provocar a vazão permanente
de gasolina para dentro das câmaras de combustão, causando o calço hidráulico,
o que resulta no travamento das peças móveis e até na perda definitiva do
motor”, explica.
Para
tentar reduzir estes riscos, ele recomenda que o consumidor só reabasteça com
gasolina comum ou aditivada em postos de extrema confiança. Caso tenha de fazê-lo
em locais desconhecidos, opte pelo etanol ou pela gasolina premium (que tem
alta octanagem e baixo teor de enxofre), apesar dos preços. Segundo Losacco,
este tipo de gasolina também é indicado para o reservatório de partida a frio.
Em São Paulo, o combustível dessa especificação custa, em média, R$ 3,66 por
litro.
No
caso dos recém-lançados modelos com injeção direta de gasolina, a opção pela
premium é quase obrigatória. Por causa das particularidades deste sistema de
alimentação, o produto adulterado cria uma crosta nas partes internas do motor,
obrigando que se tenha de retirar o cabeçote para efetuar a limpeza e eventuais
reparos, mesmo em veículos tão novos.
Portanto,
faça as contas. Da próxima vez que reabastecer seu carro, lembre-se de que é
muito mais vantajoso pagar um pouco mais pela gasolina de boa qualidade e
preservar o motor, do que economizar uns poucos reais e correr os riscos de
ficar a pé a qualquer momento e, pior ainda, um prejuízo que pode ultrapassar
os 20% do valor do veículo, dependendo do modelo.