A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está
aguardando a conclusão de autoridades francesas da área de saúde para decidir
que orientações serão dadas às 25 mil brasileiras que implantaram próteses de
silicone da marca PIP (Poly Implant Prothèse). De acordo com o governo francês,
há suspeitas de que o gel de silicone seja de má qualidade e apresente mais
chances de se romper.
Autoridades francesas aconselharam nesta sexta, 23, a 30 mil mulheres do país
que fizeram operações para aumentar os seios que retirem seus implantes. As
operações serão pagas pelo governo francês.
Fabricadas pela empresa francesa PIP (Poly Implant Prothèse), as
próteses vêm se rompendo em uma taxa acima do normal, pelo menos na França. A Anvisa
informou que está acompanhando o desenrolar das investigações, que
provavelmente a responsabilidade pela retirada dos implantes será do fabricante
e que o caso deverá ser resolvido no âmbito do Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor (DPDC), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
Ainda de acordo com a Anvisa, as orientações sobre procedimentos
que deverão ser adotados pelas mulheres que implantaram próteses de mama PIP
dependem ainda das informações que serão repassadas pela França. Caso a orientação
seja a de retirada das próteses, caberá ao Ministério da Saúde dizer a quem
caberá a responsabilidade pelas cirurgias de retirada.
Proibida no Brasil, liberada pelo mundo
O implante desse tipo de prótese foi proibido no Brasil em 2010.
Em todo o país, foram comercializadas 25 mil delas. Até o momento, segundo a
Anvisa, nenhum funcionário da área de saúde registrou a ocorrência de problemas
nas próteses implantadas em brasileiras.
Cerca de 300 mil implantes PIP, que seriam usados em cirurgia
cosmética para aumentar o tamanho dos seios ou para substituir tecido mamário,
foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado.
Fundada em 1991, a
Poly Implant Prothese tinha sede no sul da França, e durante um período foi a
terceira maior fabricante de implantes do mundo, produzindo cerca de 100 mil
por ano.
A França registrou oito casos de câncer em mulheres com implantes
mamários fabricados pela PIP, que é acusada de utilizar silicone de grau
industrial, normalmente usado em computadores e utensílios de cozinha.