O massoterapeuta e tatuador
Arnaldo Radeke de Carvalho, 34 anos, perdeu em poucos segundos, 14 anos de
trabalho de restauração e R$ 120 mil em investimento. O
antigo carro Mercury Cougar 1970, transformado depois de muita pesquisa na
Internet, foi avariado na última sexta-feira (23), em acidente no cruzamento
das ruas Ceará e Antônio Maria Coelho.
“Pensava em deixar para o
meu filho, que também gosta muito de carro, mas agora o sonho acabou, tanto
para mim, quanto para ele”, disse ao G1.
O acidente aconteceu por
volta das 13h, envolvendo o carro importado e um GM Kadet. A parte dianteira do
Mercury Cougar e a do Kadet foram danificadas. Ninguém ficou ferido na colisão.
Segundo a Companhia de Policiamento de Trânsito da Capital (Ciptran), um dos
condutores teria ultrapassado o sinal vermelho. A polícia irá averiguar quem
foi responsável pela colisão.
Após o acidente, o tatuador
levou o carro para oficina mecânica e o veredicto foi desanimador. “O mecânico
já me disse que é praticamente impossível salvar o carro, pois danificou o
chassi, que é o esqueleto do carro; raramente vou encontrar isso, sem falar que
seria muito, muito caro”.
Investimento
Arnaldo Carvalho comprou o carro quando tinha 19 anos, com investimento inicial
de R$ 10 mil, justificado pela admiração pelos modelos clássicos
norte-americanos. “O carro não andava, comprei na paixão, não fazia a mínima
ideia do quanto gastaria para deixá-lo novo”.
Em 2000, quatro anos depois
da compra e depois de algumas reformas, conseguiu dar a primeira volta com o
carro. “Foi emocionante, mas ainda faltava muito para fazer”, lembra o
tatuador.
Carvalho lembra que a compra
de peças era processo lento e de difícil negociação. “Procurei alguns dos
outros proprietários de Mercury Cougar no Brasil, mas não quiseram ou não
puderam me ajudar”.
O tatuador disse que somente
nos últimos três anos a restauração começou a acelerar, depois que conseguiu comprar
peças originais por meio de sites americanos. Além do custo da peça, ainda era
necessário o desembolso com imposto de importação e frete. Para comprar uma
chave de seta, por exemplo, o gasto foi de R$ 500.
Outro gasto considerável foi
com a troca do motor. O original estava velho e não teve como recuperar.
Carvalho resolveu usar um equipamento novo, avaliado em R$ 20 mil, com injeção
direta de combustível.
Pêsames
Em 2010, ou seja, 14 anos depois do início do investimento, o Mercury estava
pronto para voltar às ruas. O importado não ficou na garagem, mas foi
incorporado ao dia a dia do tatuador, que até viajava com ele. “Eu restaurei o
carro para poder andar, não foi para ficar parado só admirando”.
No período em que usou o
carro, Carvalho recebeu várias propostas de venda, todas recusadas. “O carro
também era o mascote dos amigos e familiares, todo mundo admirava e acompanhou
toda esta história; ele tinha um gosto especial não só para mim, mas para
outras pessoas também. Após a batida já recebi até os pêsames”, contou ao G1.
Carvalho fala que, mesmo que
pudesse recuperar o veículo, não teria mais condições financeiras para fazer o
investimento. “Ainda não sei o que fazer, ainda não cai na realidade. Ainda não
chorei, mas sei que vou chorar bastante”, desabafa.