A agroenergia é responsável por cerca de 32% da energia ofertada no
Brasil, o que coloca o país na liderança mundial do setor. Quase 48% do
total de energia ofertada é obtida de fontes renováveis, como a
biomassa, a energia hidroelétrica e os biocombustíveis. A situação
brasileira destaca-se no cenário internacional, pois 85% da energia
consumida no mundo vem de fontes não-renováveis, que se encontram na
natureza em quantidades limitadas e se extinguem com a utilização. Uma
vez esgotadas, as reservas não podem ser regeneradas. Exemplos disso são
o petróleo, o gás-natural e o carvão mineral.
O Brasil conta com características que favorecem a liderança no setor,
como a grande extensão territorial e os recursos naturais que
possibilitam ampliar a produção de insumos energéticos provenientes da
biomassa. Os avanços na substituição de combustíveis fósseis por
biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, servem de modelo para
outras nações.
Os biocombustíveis são derivados de biomassa renovável que podem
substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e
gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de
energia. Os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil
são o etanol, extraído de cana-de-açúcar, e o biodiesel, produzido a
partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel
de petróleo em proporções variáveis. Os dois emitem menos compostos
químicos poluidores do que os combustíveis fósseis no processo de
combustão dos motores. Além disso, o processo de produção é mais limpo.
Vantagens
A adoção do etanol é considerada um dos principais mecanismos de
combate ao aquecimento global, pois reduz as emissões de gás carbônico
(CO2). Parte do CO2 emitido pelos veículos movidos a etanol é
reabsorvido pelas plantações de cana-de-açúcar. Isso faz com que as
emissões do CO2 sejam parcialmente compensadas. O etanol pode ser
produzido a partir de diversas fontes vegetais, mas a cana-de-açúcar é a
que oferece mais vantagens energéticas e econômicas.
Os automóveis que circulam no país usam dois tipos de etanol
combustível: o hidratado, consumido em motores desenvolvidos para este
fim, e o anidro, que é misturado à gasolina, sem prejuízo para os
motores, em proporções que podem variar de 18% a 25%.
Na comparação com o diesel de petróleo, o biodiesel também tem
significativas vantagens ambientais. Estudos do National Biodiesel Board
(associação que representa a indústria de biodiesel nos Estados Unidos)
demonstraram que a queima de biodiesel pode emitir em média 48% menos
monóxido de carbono; 47% menos material particulado (que penetra nos
pulmões); e 67% menos hidrocarbonetos.
O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de
gorduras animais. Dezenas de espécies vegetais presentes no Brasil
podem ser usadas na produção do biodiesel, entre elas soja, dendê,
girassol, babaçu, amendoim, mamona e pinhão-manso. Desde 1º de janeiro
de 2010, o óleo diesel comercializado em todo o Brasil contém 5% de
biodiesel. O Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de
biodiesel do mundo, com uma produção anual, em 2010, de 2,4 bilhões de
litros e uma capacidade instalada, de 5,8 bilhões de litros.