A
Advocacia-Geral da União (AGU) estuda entrar na Justiça contra as empresas PIP
e Rófil para reaver os custos das trocas de implantes mamários com silicone
adulterado que serão feitas pela rede pública de saúde.
De
acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pacientes que
usaram próteses desses fabricantes e tiveram deformações ou rupturas vão poder
fazer cirurgias de substituição gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A
cobertura inclui tanto quem colocou os implantes por motivos médicos quanto por
razões estéticas - não importa se a cirurgia inicial foi feita na rede privada
ou pública.
Segundo
a Anvisa, entre 300 mil e 400 mil mulheres têm próteses de silicone de mama do
Brasil. Delas, 12,5 mil usaram produtos da PIP (duas próteses cada) e 7,5 mil,
da Rófil.
Segundo
a assessoria da AGU, nesse caso, o governo deve seguir a mesma linha das ações
de ressarcimento que têm sido ajuizadas em outras áreas.
Um
exemplo é o caso dos prefeitos cassados, que serão cobrados pelos custos das
eleições suplementares realizadas nos municípios para substituí-los.
No ano
passado, a Advocacia da União anunciou que também passará a cobrar de
motoristas os prejuízos que causaram em
desastres e de empresas que negligenciaram medidas de segurança em ocasiões de
acidentes de trabalho, provocando o pagamento de pensão e benefícios por parte
da Previdência Social.
As
mulheres que não apresentarem rompimento ou deformidade nas próteses serão
monitoradas pelo sistema de saúde pública, por meio de um programa de
acompanhamento a ser definido pelas autoridades. Se em algum momento no futuro,
surgir risco de rompimento, a cirurgia poderá ser feita.
O
diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, afirmou nesta quarta-feira (11)
que ainda não há definição do governo sobre responsabilizar as empresas
responsáveis pela adulteração dos implantes mamários. Segundo ele, a
preocupação agora é o cuidado com a saúde das mulheres.
"A
preocupação imediata do governo é amparar e cuidar. A presidenta [Dilma
Rousseff] está preocupada sobre a necessidade de amparar essas mulheres",
disse Barbano.
Entenda
o caso
Os implantes da PIP (Poly Implant Prothèse) apresentaram taxas de ruptura acima
do permitido por lei. As primeiras reclamações surgiram em 2010 e levaram à
falência da empresa. A Anvisa suspendeu o registro da PIP no país em abril de
2010 – o que proibiu a comercialização e importação da marca.
Em
depoimento, o fundador da empresa admitiu ter usado silicone adulterado e
não-testado nas próteses por acreditar ser "mais barato e melhor".
No final
de 2011, a
polêmica envolvendo a marca voltou à tona após a morte de uma mulher francesa.
Segundo o médico que a tratou, a ruptura da prótese teria causado o linfoma que
a matou.
Na
Inglaterra, 250 mulheres entraram com processo. Em 29 de dezembro, a Anvisa
cancelou o registro da PIP. Em janeiro de 2012, após denúncias, o registro da
marca holandesa Rófil também foi cancelado.