A presidente Dilma Rousseff vetou 15 dispositivos da lei que
regulamenta a chamada Emenda 29, que fixa os gastos mínimos da União,
dos estados e municípios com a saúde pública.
Um dos vetos impede que governo federal aplique créditos adicionais.
Pela lei, a União deve investir o montante do ano anterior somado à
variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB), regra também aprovada
pelo Congresso Nacional.
"O Produto Interno Bruto apurado a cada ano passa por revisões
periódicas nos anos seguintes, conforme metodologia específica, de modo
que a necessidade de constante alteração nos valores a serem destinados à
saúde pela União pode gerar instabilidade na gestão fiscal e
orçamentária”, diz a justificativa do veto, sugerido pelos ministérios
do Planejamento e da Fazenda.
A lei estabelece ainda que, em caso de PIB negativo, o valor de investimento não pode ser reduzido no ano seguinte.
Outros dispositivos vetados previam o retorno da Contribuição Social à
Saúde (CSS), imposto que foi derrubado durante a votação da
regulamentação no Parlamento.
Conforme as regras sancionadas pela presidente, os estados são
obrigados a investir 12% da arrecadação com impostos e os municípios,
15%. O percentual para o Distrito Federal varia de 12% a 15%, conforme a
fonte da receita, se é um tributo estadual ou distrital.
Ficou definido também que o dinheiro será investido em “ações e
serviços públicos de saúde de acesso universal, igualitário e gratuito” e
em metas previstas nos “planos de saúde de cada ente da federação”,
como programas de controle sanitário e de epidemias, compra de
medicamentos e equipamentos médicos, reforma de unidades de saúde,
desenvolvimento tecnológico e capacitação de pessoal.
Os recursos não são autorizados para pagamento de aposentadoria e
pensões, merenda escolar, limpeza urbana, preservação ambiental e
assistência social. Outro trecho da lei prevê como será a fiscalização
dos recursos.
A Emenda à Constituição nº 29 foi promulgada em 2007, mas precisava de
uma lei de regulamentação para ser executada. A lei foi aprovada em
dezembro do ano passado pelo Congresso Nacional.