A primeira relação sexual é considerada um marco importante na
vida de jovens e, conforme indicam pesquisas, tem acontecido cada vez mais
cedo.
Diante disso, pesquisadores da Universidade Católica de Pelotas
elaboraram um estudo que teve como principal objetivo descrever os fatores
associados à idade precoce da primeira relação sexual de jovens de 18 a 24 anos.
A pesquisa, publicada na edição de novembro dos Cadernos de Saúde
Pública da Fiocruz, evidencia necessidade de orientação sexual adequada que
inclua medidas preventivas, contribuindo para a promoção da saúde e bem-estar
dos jovens.
Primeira relação sexual
O estudo foi realizado com 1.621 jovens, entre agosto de 2007 e
dezembro de 2008, dos quais 1.468 já haviam tido sua primeira relação sexual.
A média de idade da primeira relação foi de 15,7 anos.
Os jovens que estudaram de 9 a 11 anos, não concluindo o Ensino Médio,
tiveram maior prevalência (40,7%). Dentre os entrevistados, 54% eram do sexo
feminino, 37,9% tinham os pais separados, 47,5% pertenciam à classe
socioeconômica C e 30,5% relataram ser praticantes de alguma religião.
Entre os participantes, 13,9% fizeram uso de drogas ilícitas,
31,7% fumaram e 73,2% consumiram álcool nos últimos três meses. Do total, 83,1%
não consumiram bebida alcoólica antes da última relação sexual e 58% usaram
camisinha na última relação.
Iniciação sexual de homens e mulheres
Os resultados mostram que a possibilidade de iniciação sexual mais
cedo é 41% maior entre os homens em comparação com as mulheres. Os estudiosos
atribuem o fato a diferentes influências sociais e culturais de gênero
relativas à prática sexual.
"Enquanto os homens têm sua iniciação sexual exigida como uma
etapa simbólica de passagem à vida adulta, de forma oposta as mulheres ainda
são pressionadas para abstinência antes do matrimônio", explicam.
A baixa renda familiar e pouca escolaridade são fatores fortemente
associados à prática sexual precoce, conforme revela a pesquisa. Jovens com até
quatro anos de estudos apresentam maior risco (41%) de iniciar vida sexual mais
cedo do que os que possuem 12 anos ou mais de estudo.
"A vulnerabilidade social entre os jovens impõe a necessidade
de trabalhar mais cedo, assumir maiores responsabilidades com o próprio
sustento e dos que com ele moram, antecipando em anos algumas condutas,
inclusive a sexual", acreditam os estudiosos.
Família e escola
O estudo aponta que a ausência de prática religiosa e ter pais
separados também influenciam na iniciação sexual precoce do adolescente.
Jovens que não fizeram uso do preservativo na última relação
também apresentaram iniciação sexual mais cedo e indivíduos que fizeram uso de
tabaco e drogas ilícitas nos últimos três meses tiveram maior risco para menor
idade no início da prática sexual.
Os resultados revelam significativa associação entre iniciação
sexual precoce e comportamento sexual de risco, de acordo com os estudiosos.
"É marcadamente sabido que um início sexual precoce acarreta
não só mais parceiros ao longo da vida, mas também chances maiores de doenças
sexuais, comportamento antissocial e gestações indesejadas, e está intimamente
ligado às bases familiares e experiências de amigos", afirmam.
Diante dos resultados, os pesquisadores sugerem a adoção de
educação sexual formal que minimize os riscos da prática sexual precoce.
"As participações da família, da escola, de campanhas voltadas à prevenção
de DST fazem-se necessárias e devem dirigir esforços para orientar os jovens
com relação às DST e gestações indesejadas", propõem.