Mais de 200 mil atendimentos de saúde foram prestados aos encarcerados de MS em 2011
Da redação/AQ
A Agência Estadual de
Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen)
divulgou um balanço dos atendimentos na área de saúde nas unidades
penais da Capital e do Interior. Mais de 204 mil procedimentos entre
atendimento médico-odontológico e acompanhamento de auxiliares e
técnicas de enfermagem foram realizados em 2011.
De acordo com o levantamento, em um universo de 10 mil detentos em todo
o Estado, o maior número de atendimentos foi realizado por clínicos
gerais, com 14.991 consultas. Os psiquiatras realizaram cerca de 300
consultas, seguidas de atendimentos por neurologistas (59),
cardiologistas (121), ortopedistas (325), oftalmologistas (146) e
ginecologistas/urologistas (1.408). Na lista ainda estão 10.324
atendimentos odontológicos, 6.550 atendimentos psicológicos e 6.275
encaminhamentos para atendimento com assistentes sociais.
Para completar as especificações das assistências, de janeiro a
dezembro do ano passado, 148.429 atendimentos resultaram
no encaminhamento para acompanhamento de enfermagem. “Os atendimentos
básicos de saúde para o encarcerado são realizados primeiramente dentro
das unidades prisionais. Se houver necessidade eles são encaminhados a
um posto de saúde ou hospital que atenda pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) para atendimentos das especialidades médicas e exames mais
detalhados”, explica a chefe da divisão de saúde da Agepen, Maria de
Lourdes Delgado Alves.
No balanço divulgado
pela Agepen, os atendimentos realizados nos hospitais superaram 1,2 mil.
Para as unidades de saúde foram encaminhados 1.915 encarcerados e 271
internações foram feitas no período de janeiro a dezembro de 2011.
Equipes
de saúde realizam atendimento básico em 42 unidades prisionais
espalhadas pelo Estado, apenas duas de regime semiaberto, em Paranaíba e
Corumbá, não possuem equipes de pronto atendimento. “Por se tratarem de
unidades em que os encarcerados não passam o dia presos, se houver
algum problema de saúde com o detento, no período de detenção, eles são
encaminhados a um hospital ou posto médico imediatamente”, relata Maria
de Lourdes.
Nos presídios as equipes trabalham, principalmente, com a prevenção e
acompanhamento de diabéticos, hipertensos, programas de tratamento e
prevenção à tuberculose e doenças sexualmente transmissíveis, entre
outras. Em 2011 foram realizados 15.713 exames complementares nos
detentos do Estado.
Plano Operativo Estadual
As ações de saúde nos presídios fazem parte do Plano Operativo Estadual
(POE) que estabelece as metas gerais e específicas no Estado e
operacionaliza o sistema de atenção à saúde da população prisional, a
partir da qualificação de MS ao Plano Nacional de Saúde no Sistema
Penitenciário.
Segundo
Maria de Lourdes Delgado Alves, cerca de R$ 800 mil foram investidos
pelo Estado de Mato Grosso do Sul para manutenção de equipes atuando nos
estabelecimentos penais no último ano. “Os convênios com os municípios
também permitem que as ações sejam conjuntas. Atualmente 17 unidades
penais têm ações compactuadas, que são as somas dos recursos para
atendimento direto na saúde do indivíduo encarcerado”, comentou a chefe
da divisão de saúde da Agepen.
Doenças Crônicas
As ações também estão direcionadas ao atendimento e diagnóstico de
doentes crônicos existentes nos presídios da Capital e do interior.
Somente no ano passado, 38 casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis
(DST) foram diagnosticados. O combate a hipertensão arterial permitiu a
análise de 218 encarcerados, encaminhados para tratamento. Outros casos
também foram detectados nos exames realizados neste período, onde 100
pessoas apresentaram algum tipo de doença de pele, 25 casos de HIV foram
descobertos, além de casos de tuberculose (32), hepatite B (15),
hepatite C (16) entre outros. Outro dado importante é que 54
encarceradas mulheres em período gestacional foram encaminhadas a
maternidade para acompanhar o processo gestacional e dar a luz.
“Mato Grosso do Sul é considerado um dos principais Estados no
atendimento de saúde da população encarcerada. O nosso programa serve de
modelo para diversos Estados, recebemos equipes de saúde do Tocantins,
Cuiabá para copiar nosso Plano Operativo Estadual”, finalizou Maria de
Lourdes.