Cana
sem açúcar. É a ciência na reinvenção da cana em busca de fontes alternativas
de energia. As pesquisas iniciaram no início do ano passado pelo Instituto de
Química da Universidade de São Paulo (USP) e o etanol celulósico já faz parte
dos planos da ETH Bioenergia, que projeta desenvolver a cana com mais fibra e
menos sacarose em sua usina em Nova Alvorada do Sul, a 100 quilômetros de Campo
Grande.
As pesquisas estão avançando e o BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social) vai investir R$ 1,1 bilhão no desenvolvimento
de mais estudos sobre o etanol celulósico. A cana também deverá substituir o
petróleo na produção de resina para produzir o plástico. Hoje a matéria prima é
extraída do petróleo ou do gás natural. O plástico verde deve sair do gás
produzido pela biomassa (bagaço de cana).
A
nova variedade ainda não existe no campo, mas a expectativa é que a nova
geração de biocombustíveis ganhe o mercado após 2015. A cana (geneticamente
otimizada) será usada para produzir mais matéria orgânica (biomassa) do que
sacarose.
A
usina em Nova Alvorada do Sul tem capacidade de moagem de 3 milhões de
toneladas de cana por safra e produz 180 milhões de litros de álcool. É a maior
produtora de etanol e energia alternativa em Mato Grosso do Sul.
A
ETH Bioenergia, que tem três outras usinas no Estado – Rio Brilhante, unidade
do Alto Taquari e Costa Rica – foi criada em 2007 pela Odebrecht. Neste ano, com
as quatro unidades de MS e outras cinco no resto do país, a ETH terá capacidade
instalada para processar 40 milhões de toneladas de cana, produzir 3 bilhões de
litros de etanol e 2.700 Gwh de energia elétrica. A previsão é de que até 2014
entre em operação as primeiras usinas do biocombustível em escala de
demonstração (até 3 milhões de toneladas por safra).
A
iniciativa do BNDES, junto com a Finepe (Financiadora de Estudos e Projetos) de
financiar e apoiar com R$ 1,1 bilhão pesquisas com etanol celulósico no país é
inédita, segundo o jornal Valor Econômico. “O objetivo é que esses projetos
validem a tecnologia de forma a dar segurança necessária para que os
investidores partam para a escala industrial - acima de 80 milhões de litros
por safra”, disse o chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Carlos
Eduardo Cavalcanti em entrevista ao Valor.
De
acordo com a reportagem, os planos de negócios foram aprovados dentro do PAISS
(Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético
e Sucroquímico) que deve destinar, além dos R$ 1,1 bilhão aos estudos com
etanol celulósico, mais R$ 1 bilhão para outras duas linhas de pesquisa de
segunda geração: novos produtos da cana-de-açúcar (bioquímicos, principalmente)
- R$ 900 milhões - e gaseificação (uso do gás do bagaço para produção de
biocombustível, plásticos, etc) - R$ 100 milhões.
Na
área de etanol celulósico foram aprovados 14 planos de negócios de 13 empresas.
Entre elas, estão a ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, a Petrobras, o Centro
de Tecnologia Canavieira (CTC) - que tem como sócias a Raízen (Cosan / Shell) e
a Copersucar - além da espanhola Abengoa.