O Brasil e a Argentina devem se preparar para um ano difícil no
que se refere ao comércio exterior. O alerta é do argentino Marcelo Claveri,
especialista em comércio exterior. A partir do próximo mês, os importadores
argentinos terão de enfrentar um novo sistema para fazer seus negócios.
Os interessados devem pedir autorização prévia à Afip, a Receita
Federal do país. Os pedidos serão examinados também pelo secretário do Comércio
Interior, Guillermo Moreno, antes de serem liberados, num prazo de dez dias.
Para o governo, a medida vai agilizar as operações, além de permitir maior
controle das importações.
“Tanto a Argentina quanto o Brasil estão se preparando para um ano
duro. Por isso, em dezembro passado, os presidentes dos quatro países do
Mercosul [Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai] aprovaram uma medida para
controlar as importações de terceiros países”, disse Claveri à Agência Brasil.
Pelo acordo, cada país poderá aumentar em até 35% as tarifas de
100 produtos, importados de terceiros países e hoje sujeitos a uma Tarifa
Externa Comum (TEC) mais baixa. Cada país fará sua própria lista. De acordo com
o texto, os aumentos serão temporários.
Pelos dados oficiais, desde 2003, a Argentina tem
crescido em média 7% ao ano com ajuda, em grande parte, dos elevados preços das
commodities (bens primários com cotação internacional). Porém, ao longo de
2012, segundo previsões de vários economistas, a economia argentina deve
crescer, no máximo, 3,5%.
“[Com isso a tendência é que] as exportações também tenham
crescimento menor, entre 2% e 3%, enquanto as importações de energia terão
aumento substancial, passando de US$ 2 bilhões em 2011 para US$ 7 bilhões este
ano”, disse o economista Marcelo Elisondo, diretor da consultoria DNI.