Domingo, 29 de Janeiro de 2012         09h21        307
Soldado que foi pego usando crack no quartel em Paranaíba é expulso dos bombeiros
G1MS/AQ

Um soldado do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul foi exonerado da corporação após ser flagrado usando crack dentro de um quartel e recusar, por várias vezes, segundo a corporação, a se submeter a tratamentos contra a dependência química. A exoneração do militar, de 30 anos de idade, foi publicada na quarta-feira passada (25), no Diário Oficial do estado.

Segundo o tenente capelão Edilson dos Reis, que é responsável pelo Centro de Apoio Biopsicosocial do Corpo de Bombeiros, o soldado foi flagrado usando crack em 2009 no banheiro do quartel em Paranaíba. Ele diz que, desde então, o militar recebeu apoio da corporação para abandonar o vício, sendo, inclusive, internado várias vezes, mas o paciente não respondia ao tratamento.

“Nós esgotamos todas as possibilidade para tentar recuperá-lo. Acompanho o caso e já oferecemos todo tipo de tratamento, tudo custeado pelo Corpo de Bombeiros. Ele chegava a começar a terapia, mas depois abandonava. Por três vezes tivemos que interná-lo à força, já que ele não aceitava ajuda e gerava problemas para a corporação e para sua família. Desde que foi descoberto o problema, ele foi afastado do serviço. Chegou a voltar algumas vezes, quando houve lapsos de recuperação, mas logo foi afastado novamente”, explica o tenente.

Reis disse que a família do soldado também recebeu apoio da assistência social, e que há cerca de um ano todos estavam avisados da iminência da exoneração. “Quando a corporação detecta algum problema do gênero nós fazemos o possível para recuperar o militar, para que ele volte a trabalhar normalmente. Tanto que essa é a primeira exoneração em dez anos. A última foi por alcoolismo”, complementa.

O tenente fala ainda que o caso do militar era grave, pois para conseguir droga ele já havia vendido a motocicleta da esposa por R$ 300 e chegou deixar a farda empenhada como garantia de pagamento em uma boca de fumo. “Na última vez que internamos ele, tive que tirar a segunda via de todos os documentos do soldado, inclusive o cartão do convênio médico, pois ele havia empenhado tudo em uma boca de fumo. Ele fazia isso quando não tinha dinheiro para comprar a droga. Em outras ocasiões, quando faltava ao serviço, o encontramos usando droga em uma boca, uma vez inclusive, estava armado”, recorda.

O advogado do militar, Odivan César Arossi, disse que o soldado chegou a alegar em sua defesa que não era usuário de crack e que outro militar seria o verdadeiro viciado e estava tentando incriminá-lo. Porém, segundo ele, no decorrer do processo exames toxicológicos e psicológicos provaram a dependência química do militar.

Arossi disse também que no exame psicológico, acatado pela Justiça, o militar foi considerado relativamente incapaz e inimputável, ou seja, não poderia ser preso pelo delitos que cometeu, no máximo internado para tratamento. O advogado reclamou apenas pelo fato da decisão administrativa ter se antecipado à decisão judicial, já que o processo ainda não terminou.

Rigor na seleção

O tenente Reis acredita que um rigor ainda maior no processo seletivo dos candidatos interessados em ingressar na corporação poderia evitar situações como a do militar exonerado.

“Uma pessoa que vai lidar com vidas, precisa ser uma pessoa ética e idônea. Mas como não temos como descobrir isso antes do ingresso na corporação, a sociedade, o contribuinte é quem paga por isso. Esse militar ingressou no Corpo de Bombeiros em 2004, possivelmente já com problemas com as drogas. Agora ele perdeu todo o auxilio que recebia, inclusive o salário, infelizmente as coisas ficarão ainda mais difíceis. Eu só posso lamentar, pois fizemos tudo e até mais do que estava ao nosso alcance”, conclui.

 

 

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