Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2012         13h00        210
Atleta é absolvida de doping ao provar que exame foi irregular
Uol/LD

Simone Alves da Silva testou positivo em antidoping no Troféu Brasil do ano passado, recebeu uma suspensão provisória e, há 11 dias, foi absolvida por três votos a dois.

Para conseguir se livrar da pena, a fundista alegou falhas na coleta para o exame. A atleta baiana afirma que sua amostra B estava com o número de identificação errado e que deixou a sala do antidoping carregando a urina usada para o exame, deixando o pote no chão para dar uma entrevista ao canal Sportv.

A versão é rebatida pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que confia em uma pena de quatro anos para a fundista.

“Eu não tinha conseguido urinar a quantidade pedida para o antidoping, mas aí vieram me chamar três vezes para dar entrevista. Fui liberada para sair da sala com a amostra de urina na mão, coberta com um papel, e deixei no chão quando cheguei na área de entrevista. Fiquei uns 15 minutos lá e de onde estava não conseguia ver a amostra, então não sei se houve contaminação”, alegou Simone.

O fato foi usado pela defesa da fundista no julgamento realizado no Conselho Disciplinar Nacional (CDN) no dia 23 de janeiro. O estafe da atleta mostrou o vídeo do Sportv em que a repórter Joanna de Assis, em uma entrada ao vivo, diz que precisou “tirar” a fundista do exame antidoping para participar do programa "Tá na Área".

“A responsável pelo antidoping no Troféu Brasil [Ana Carolina Siqueira] me liberou para sair com a urina, porque eu tinha feito só 70 ml, e não os 150 ml que eram necessários. Antes, ela tinha dito que eu não podia sair, mas, com tanta insistência do pessoal me chamando para a entrevista, ela liberou e me acompanhou até o local, que inclusive já tinha sido aberto ao público. Tinha um monte de gente passando por lá. Deixei minha urina no chão, no canto, perto de uma grade. Eu achei que tudo estava certo, já que a responsável pelo antidoping autorizou tudo isso”, contou Simone.

No entanto, a CBAt assegura que tais argumentos não invalidam o resultado do teste. Agente oficial da entidade para o assunto, o advogado Thomaz Mattos de Paiva defende que, em caso de irregularidade na coleta, a falha deveria ter sido apontada por Simone no dia do teste.

“Ela é responsável por sua amostra. Se no formulário que assinou após a coleta a atleta não atestou nenhuma irregularidade, não pode reclamar agora. Por que ela não falou isso antes? Por que só depois do resultado positivo ela contestou a coleta? A partir do momento que assinou o formulário e não apontou nenhuma irregularidade, ela não pode usar isso em seu benefício agora”, sustentou.

"Substância é injetável"

“Além disso, a substância encontrada no teste antidoping dela é injetável. Não existe isso de haver uma contaminação direta na urina. E sobre a identificação da amostra B, ela tem que acionar o laboratório do Canadá responsável pelo teste, um dos laboratórios mais respeitados do mundo”, emendou Thomaz Mattos de Paiva.

Responsável pelo controle antidoping no Troféu Brasil do ano passado, Ana Carolina Siqueira não confirmou nem negou que acompanhou Simone na entrevista após a interrupção alegada pela atleta.

“O que posso dizer é que tudo que foi feito aquele dia seguiu os padrões da Wada [Agência Mundial Antidoping], da notificação à coleta. Não posso falar mais nada sobre esse controle”, afirmou ela.

As duas amostras de Simone Alves tiveram resultado positivo para eritropoetina recombinante (EPO), hormônio que aumenta o número de glóbulos vermelhos no sangue, o que acelera a oxigenação dos músculos, melhora a resistência e retarda o cansaço.

Livre da suspensão preventiva, Simone Alves está liberada para competir, mas sabe que a CBAt irá recorrer no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo sua suspensão em uma instância superior. A entidade avisou, no dia do julgamento no CDN, que levaria o caso ao STJD e, como Simone é reincidente, projeta uma suspensão de até quatro anos.

A fundista quebrou recordes sul-americanos dos 5.000 m e dos 10.000 m no Troféu Brasil do ano passado, realizado em agosto, no estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, em São Paulo.

Na sequência, ela não competiu no Mundial de Daegu (Coreia do Sul) alegando uma lesão. “A lesão foi constatada em ressonância magnética feita pelo Dr. Cristiano Laurino, que era da minha ex-equipe [BM&F] e também da CBAt. Quatro dias depois participei de outra prova, fiz outro antidoping e deu negativo”, completou Simone.

 

 

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