A privatização em alguns terminais aeroportuários brasileiros
deverá elevar os custos aos consumidores, mas deverá trazer também melhorias
nos serviços prestados. A avaliação é do especialista em direito administrativo
da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) José Carlos Oliveira.
O especialista usou o exemplo das concessões das rodovias federais
e do serviço de telefonia para explicar o provável aumento de custos. Ele
lembrou dos pedágios “extremamente altos” nas rodovias e da “maior tarifa telefônica
do mundo” paga, segundo ele, pelos brasileiros. “Vamos sentir no bolso as
tarifas de embarque e as de transporte de carga [com a privatização]”, afirmou
em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Os aeroportos de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos) e
Brasília (JK) foram leiloados ontem (6) na Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa). A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) arrecadou R$
24.535.132.500 com o leilão. “As empresas passam a ser responsáveis pela
locação das áreas dentro dos aeroportos, como bares, restaurantes e lojas,
essas áreas ficarão também muito mais caras”, afirmou o especialista.
“Logo, o empresário vai ter que repassar esses custos para nós,
consumidores. Então podemos dizer que o consumidor será afetado no bolso com
acréscimo significativo nos preços cobrados nos aeroportos”, completou. O
especialista explicou que o modelo de concessão adotado no país é chamado de
Parceria Público-Privada (PPP).
Nesse modelo há uma grande preocupação com a repartição dos
riscos, pois se o negócio não der certo, o governo assume uma parte dos riscos
do empreendimento. “Na verdade esse modelo não é privatização, porque
privatização é quando o governo vende todos os ativos e não fica com nenhum
tipo de controle.
Nesse caso, a Infraero [Empresa Brasileira de Infraestrutura
Aeroportuária], empresa estatal que atualmente administra os aeroportos
leiloados, terá uma participação de 49% em cada um dos três consórcios
vencedores”, disse.