Os operadores de teleatendimento dos telefones de emergência 190 e
193 no Distrito Federal, que recebem as chamadas direcionadas à Polícia Militar
e ao Corpo de Bombeiros, decidiram em assembleia, na manhã de hoje (10),
paralisar os serviços. Segundo o sindicato da categoria, o protesto é contra o
atraso no pagamento dos salários.
Os funcionários, que são contratados por uma empresa terceirizada,
a Fiança, reivindicam também melhores condições de trabalho. De acordo com o
vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Distrito
Federal (Sintell-DF), José Goudim, há 200 pessoas para atender a população que
liga para os números de emergência, mas apenas dez trabalharam no primeiro
turno de hoje.
“A greve está confirmada porque os atrasos nos salários
ocorrem constantemente. Infelizmente, quem sofrerá será a população. Nossa
única reivindicação é que a empresa faça o pagamento do salário,
auxílio-alimentação e vale-transporte, que estão atrasados há quatro dias. Mas
a empresa disse que só poderá efetuar o pagamento na próxima quarta-feira
(15)”, reclamou Goudim.
“Precisamos ainda de melhorias nas condições de trabalho, que são
precárias, temos trabalhadores que estão com duas férias vencidas, e a empresa
prefere manter o quadro de funcionários insuficiente a contratar novos
servidores”, disse. Uma atendente da Central Integrada de Atendimento e
Despacho (Ciad), de 43 anos, que não quis ser identificada, confirmou à
reportagem da Agência Brasil que os atrasos nos pagamentos são constantes.
Ela disse que teve de mudar o dia de vencimento de todas as contas
porque não consegue prever quando o dinheiro do salário entra na conta dela.
“Trabalho nesta empresa há quatro anos e posso contar nos dedos as vezes que
recebi no dia certo. Às vezes, salários e benefícios só são pagos com semanas
de atraso”, disse.
Ela contou ainda que tem três filhos e todos têm bolsa parcial nas
escolas em que estudam. Entretanto, para pagar a diferença da mensalidade, ela
tem encontrado dificuldades. Para obter o desconto por pontualidade, ela precisa
pagar a fatura antes do vencimento. “Se eu perder o desconto das mensalidades
fica inviável para mim, tenho colegas que estão com aluguel, mensalidades da
faculdade e outras contas atrasadas, o dinheiro para pagar a passagem também já
acabou”, disse.
Segundo a assessoria de imprensa da Fiança, empresa responsável
pelos trabalhadores terceirizados, o atraso no pagamento foi causado pelo
demora na liberação de uma certidão da Receita Federal. Só de posse desse
documento é que o GDF pode repassar o valor dos salários dos trabalhadores.
A assessoria disse ainda que estará de posse da certidão na
segunda-feira (13) e que deve protocolar no governo o pedido de liberação da
verba. A Fiança confirma que o pagamento será depositado na conta dos
atendentes na quarta-feira (15).
O subsecretário de Operação da Secretaria de Segurança Pública,
coronel Jooziel Freire, disse que o serviço está funcionando normalmente e que
dez funcionários foram suficientes para atender à demanda da manhã. Ainda
segundo ele, se for necessário, bombeiros e policiais que supervisionam a
central de atendimento vão auxiliar no atendimento no período da tarde.