O vírus tipo
quatro da dengue está cada vez mais próximo de Mato Grosso do Sul. Se ele
chegar, o estado pode enfrentar uma epidemia grande e o sistema de saúde não
dar conta, segundo a titular da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Beatriz
Dobashi.
“Estamos
circundados pelo vírus quatro. Então, se o vírus quatro entrar aqui e nós
tivermos com o índice alto de infestação do Aedes aegypti, vai ter uma epidemia
muito grande e os serviços de saúde não vão dar conta”, afirmou Dobashi durante
reunião da CIB (Comissão Intergestores Bipartite Estadual) com os secretários
municipais de saúde, na tarde desta sexta-feira (10).
O tipo quatro
da doença foi registrado em todos os estados que fazem divisa com Mato Grosso
do Sul (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná), além da Bolívia,
país vizinho. Por isso, a secretária de saúde destacou que Mato Grosso do Sul
está ‘cercado’.
Dobashi
ressaltou ainda que o órgão atua o ano inteiro na luta contra a dengue,
independente de epidemia. Porém, alertou para o fato de várias áreas estarem
com índice alto de infestação do mosquito da dengue.
Sobre medidas
para conter a entrada do vírus quatro, o coordenador de vetores da SES, Aldecir
Dutra, garantiu que todos os municípios fronteiriços têm técnicos atuando para
impedir que isso aconteça.
Para o
infectologista Rivaldo Venâncio, é questão de dias, semanas ou meses para o
tipo quatro chegar em Mato
Grosso do Sul. “Não tem como impedir”, lamentou.
Sobre as
medidas preventivas adotadas, Venâncio disse que isso ajuda, mas não é 100%
eficaz. “É uma doença que a pessoa pode vir com ela encubada de outro lugar. Aí
chega no estado sem sentir nada, depois sente febre e depois se diagnostica o
vírus. Nesse período, pode haver contaminação, pois um mosquito pode picar a
pessoa e espalhar o vírus”, justificou o infectologista.
Casos
de dengue
Nas primeiras
cinco semanas de 2012, foram registrados 1.473 casos de dengue em Mato Grosso do Sul,
segundo a Secretaria Estadual de Saúde. No mesmo período de 2011, 2.722 pessoas
contraíram a doença.
Três Lagoas é o
município do estado com a mais alta incidência de casos para cada 100 mil
habitantes. O número é de 597,30, de acordo com a SES.