Denúncias
de irregularidades no processo de eleição das entidades não-governamentais que
integrariam o Conselho Estadual da Diversidade Sexual (CEDS/MS) fizeram com que
a OAB/MS, procurada por entidades ligadas à diversidade sexual, questionasse o
resultado.
O impasse levou a Setass (Secretaria de Estado de Trabalho e
Assistência Social) a suspender a posse dos eleitos que seria na na
quarta-feira (8) e encaminhar os autos à Procuradoria Geral do Estado (PGE)
para análise.
O diretor-executivo da Setass, Álvaro Cardoso Ávila,
contesta a existência de possíveis irregularidades informando que o problema
teria surgido pois a OAB/MS queria integrar o conselho, mas não teria se
inscrito no prazo que, segundo ele, foi até prorrogado.Reconhece,
porém, que algumas entidades também não acorreram nas datas
determinadas.
Álvaro explicou que para dirimir todas as dúvidas e por
uma “questão de precaução”, a secretária Tânia Garibi decidiu suspender a posse
do conselho e solicitar a a análise da PGE.
Já a advogada Priscila Arraes, presidente da Comissão de
Diversidade Sexual da OAB/MS, disse várias entidades não ficaram sabendo a
tempo das inscrições e acabaram ficando de fora do Conselho. “Cheguei a receber
um e-mail de aviso, mas apenas no último dia de inscrição (22/11), quando não
havia tempo para reunir todos os documentos”.
A advogada teve que entrar em contato a assessoria
jurídica da secretaria acionando a Comissão de Prerrogativa da OAB/MS
para ter acesso aos documentos do processo, que chegaram as suas mãos na última
sexta-feira (3) e apresentavam diversas irregularidades: estatuto da entidade
sem registro em cartório – uma das
exigências do edital publicado no Diário Oficial -, protocolos sem
data e inscrições deferidas com um dos documentos requeridos faltando. Além
disso, o processo não estava numerado e algumas entidades estavam em
duplicidade, ocupando duas cadeiras no Conselho.
Após a análise, a presidente da Comissão enviou um ofício à
Setass para solicitar revisão no processo e a secretaria achou por bem cancelar
a posse dos conselheiros. “Queremos que as oito entidades
não-governamentais sejam eleitas por meio de um processo eleitoral sem
irregularidades”, afirmou.