O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse que não haverá "efeito
dominó" em outros Estados dos movimentos grevistas de Bahia e Rio.
Segundo ele, a situação no Rio está controlada e, apesar da tensão
gerada especialmente na Bahia, o Carnaval será tranquilo no país, ainda
que garantido por tropas federais.
"Não tenho dúvida de que o Carnaval transcorrerá em absoluta normalidade
em todos os Estados. O governo está pronto para mandar as tropas que
forem necessárias."
De férias no Rio, a argentina Mariana Lategana, 37, se surpreendeu ao ser indagada pela Folha se a greve dos policiais e bombeiros tinha afetado sua rotina de turista.
"Greve? Eles estão em greve? Não soube de nada."
Mariana, que passeava no calçadão de Copacabana, contou que saíra à
noite na véspera -quando a greve foi decretada- e nada percebeu.
Um pouco adiante, PMs, ao lado de um carro da corporação, acompanhavam a
movimentação na rua. O clima era de normalidade: praia e bares estavam
cheios, sem sinais de preocupação com a greve.
"Nossa família ligou preocupada por causa da greve, mas não vimos nada",
disse a paulista Carla Roxo, 25, de férias com a irmã, Letícia, 21.
À noite, carros da PM acompanhavam o desfile do bloco Cordão do Bola
Preta pelo centro. Conforme a PM, 184 policiais seguiam o desfile.
De uma janela do 23º Batalhão da PM, no Leblon, um policial sem camisa,
com uma lata de cerveja ao lado, disse que todos estavam trabalhando. "A
gente não para, não." Mas, sobre o motivo de o portão do batalhão estar
fechado, respondeu: "É por causa da greve".
Até o início da noite, a ocorrência mais grave foi o ataque a tiros a
três bancos em São Gonçalo, região metropolitana. Ninguém foi preso.