
A polêmica envolvendo o uso do nome da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em campanhas eleitorais teve um novo desdobramento neste sábado (10). Após a repercussão da denúncia de acadêmicos de Coxim divulgada pelo Edição MS, que revelou o uso da imagem e de conquistas da instituição pública em um palanque partidário, o reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, publicou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas à comunidade acadêmica.
No pronunciamento, gravado ao lado de sua esposa, a professora Suzana, o dirigente procurou prestar esclarecimentos sobre o registro no qual pedia votos para candidatos no primeiro turno "em nome da UEMS". O reitor declarou que sua intenção é pedir desculpas caso sua fala tenha sido "mal interpretada" ao mencionar a universidade durante o ato político:
"Quero aqui, primeiramente, pedir desculpas à nossa comunidade acadêmica se, em algum momento, fui mal interpretado por utilizar a palavra UEMS e vocês entenderem que foi utilizando toda a comunidade acadêmica. Esse não foi o sentido."
O reitor justificou sua atitude alegando ser uma pessoa espontânea e sustentou que, no momento do evento eleitoral, participava como pessoa física ao lado da esposa. Segundo ele, a menção à UEMS ocorreu por entusiasmo e gratidão pelas conquistas recentes da instituição.
Assista ao vídeo na íntegra em nosso Instagram @edicaoms
Apesar das justificativas de que agia a título pessoal, a conduta do reitor colide diretamente com o comunicado oficial emitido pela reitoria e pela procuradoria-jurídica da UEMS sobre as condutas vedadas no período eleitoral:
1. A proibição do uso do nome e imagem institucional:
O comunicado da UEMS veda categoricamente o uso do nome, da imagem, de recursos ou da chancela da universidade para apoiar candidatos ou coligações. No vídeo de campanha, o reitor pede votos explicitamente "em nome da UEMS", contrariando a norma que ele próprio tem o dever de fazer cumprir.
2. A falsa separação entre "pessoa física" e cargo público:
Enquanto o comunicado orienta que servidores e gestores só podem participar em atos eleitorais estritamente como cidadãos (sem elementos que identifiquem ou vinculem a autarquia), o reitor justificou o pedido de votos no palanque enumerando obras, verbas públicas e restaurantes universitários da UEMS. Associar investimentos estatais ao apelo do voto invalida a tese de mera atuação individual.
3. Duplo padrão de exigência:
As diretrizes da universidade alertam para sanções disciplinares, administrativas e eleitorais em caso de descumprimento das regras por parte da comunidade académica. Contudo, ao ser confrontado pela denúncia, o gestor limitou-se a atribuir o episódio a um "mal-entendido" ou à sua "espontaneidade", evidenciando um duplo padrão entre o rigor exigido aos alunos e docentes e a complacência com a alta gestão.
Outros pontos abordados no vídeo
Durante a retratação, o gestor alegou ainda que costuma haver uma fusão natural entre a sua imagem e a da instituição, afirmou manter um diálogo plural com vários partidos políticos (mencionando legendas como o PT) e negou qualquer tipo de intimidação ou acionamento de forças policiais contra os estudantes, em recentes episódios.
O papel do jornalismo e da mobilização estudantil
A retratação pública do reitor é resultado direto do trabalho jornalístico do Edição MS, que deu voz aos acadêmicos do campus de Coxim ao expor o descumprimento das diretrizes eleitorais. O caso demonstra a importância da vigilância estudantil e da imprensa na defesa da impessoalidade, da autonomia e do respeito às regras que regem as instituições de ensino públicas.
