
Em julho do ano passado, a maioria dos vereadores enfrentou desgaste político junto à população ao autorizar que a Prefeitura de Coxim contraísse um empréstimo de R$ 20 milhões, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), com a promessa de transformar o município num canteiro de obras.
Passados quase oito meses, a gestão do prefeito Edilson Magro (Partido Progressistas) ainda não conseguiu viabilizar a liberação de recursos junto ao governo Federal para melhorias concretas na cidade. Até o momento, nenhum valor desse programa foi viabilizado e, consequentemente, aplicado para atender demandas básicas da população.
Nesta semana, uma comitiva liderada pelo prefeito, formada também por vereadores, está Brasília (DF) em busca da liberação dos recursos. A deputada federal Camila Jara (PT/MS) será uma das interlocutoras do município junto ao governo Federal.
Diante desse cenário, começa a ganhar força, nos bastidores da Câmara Municipal, uma inquietação que já não é sussurrada, mas, dita de forma aberta: teria valido a pena arcar com o desgaste político da aprovação do empréstimo, se até o momento os resultados concretos permanecem ausentes? Para parte dos parlamentares, a conta começa a parecer desproporcional, ou seja, alto custo político, baixo retorno prático.

Entre os que manifestam essa preocupação está o vereador tucano Wiliam Meira. “Apoiamos a iniciativa do Poder Executivo para que Coxim tivesse condições de oferecer contrapartida a obras importantes, destinadas pelos governos Estadual e Federal. A confirmação desses investimentos exige um volume financeiro considerável por parte do município”, ponderou.
A lógica, conforme o parlamentar, era estratégica, garantir fôlego financeiro para que a cidade não perdesse oportunidades de desenvolvimento por falta de recursos próprios. Em outras palavras, tratava-se de preparar o município para participar de um novo momento, no qual quem não dispõe de caixa simplesmente fica à margem dos investimentos.
No entanto, Meira lamenta que, apesar da aprovação do Finisa, classificado por ele como financeiramente vantajoso devido ao crédito barato, a gestão municipal ainda não tenha conseguido viabilizar o montante necessário para transformar a autorização legislativa em obras efetivas. “O desgaste político não valeu a pena, uma vez que os investimentos não foram consolidados”, concluiu o vereador, sinalizando frustração com o descompasso entre a expectativa criada e a execução concreta das ações prometidas.
Assim, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a ocupar o campo político, quando a promessa de desenvolvimento não se materializa, o peso da decisão recai diretamente sobre aqueles que a defenderam junto a população.
Vale lembrar que após a reeleição do prefeito, Coxim tem enfrentado problemas recorrentes em áreas essenciais, refletindo dificuldades na gestão de serviços básicos, aliados a recorrentes escândalos de corrupção, que resultaram em três visitas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) nos últimos 15 meses.
Um dos exemplos mais visíveis é a limpeza pública: desde julho, a prefeitura segue sem empresa contratada para a execução do serviço, e o processo licitatório ainda não foi concluído pelo setor responsável. Enquanto isso, moradores convivem diariamente com matagal, ruas sujas e vias em condições precárias. A administração municipal tem atribuído o aumento dos buracos ao período de chuvas, porém as ruas não recebem operações tapa-buracos há vários meses, o que agrava ainda mais a situação.

As reclamações de proprietários de veículos são constantes, diante dos prejuízos provocados pelos danos mecânicos. Na prática, a deterioração das vias tem gerado transtornos à população, enquanto apenas oficinas mecânicas acabam sendo beneficiadas pela demanda crescente por reparos. Afinal, enquanto uns choram, outros vendem lenços.